Nesta quinta-feira (26/03), a Polícia Federal informou que amostras de vírus desapareceram na sexta-feira (13/02) do Laboratório de Virologia do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e permaneceram fora de controle por 40 dias dentro da instituição. Segundo a investigação, a professora Soledad Palameta Miller retirou o material sem autorização e acessou áreas restritas com apoio de terceiros.
A PF prendeu a docente em flagrante na segunda-feira (23/03), após localizar as amostras em diferentes laboratórios da universidade. No dia seguinte, terça-feira (24/03), a Justiça Federal concedeu liberdade provisória mediante fiança e proibiu o acesso da professora a instalações laboratoriais.
Professora roubou vírus na Unicamp e burlou controle de acesso
De acordo com a Polícia Federal, a professora roubou vírus na Unicamp ao retirar amostras de um laboratório classificado como NB-3, o mais alto nível de biossegurança disponível no Brasil, sem autorização formal.
Além disso, os investigadores apontam que a docente contou com a ajuda de uma aluna de mestrado para entrar na área restrita. Como não possuía laboratório próprio na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), ela passou a utilizar estruturas de outros pesquisadores.
Em seguida, a professora transportou as amostras do Instituto de Biologia até a FEA. O trajeto, de aproximadamente 350 metros, pode ser percorrido em cerca de quatro minutos dentro do campus.
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PF encontra material em três locais diferentes
Durante a operação realizada entre sábado (21/03) e segunda-feira (23/03), cerca de 20 agentes da Polícia Federal vasculharam laboratórios e localizaram o material em três pontos distintos da universidade.
Na FEA, os agentes encontraram caixas com amostras armazenadas em freezer. Já no Instituto de Biologia, identificaram tubetes manipulados dentro de um equipamento utilizado por outra professora. Além disso, os investigadores localizaram frascos descartados em lixeiras de outro laboratório.
Entre os itens recuperados estavam amostras dos vírus H1N1 e H3N2, associados à gripe sazonal. Segundo o professor José Luiz Modena, da Unicamp, esses agentes apresentam risco moderado e se enquadram no nível 2 de biossegurança.
Na sequência, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) identificou material aberto e encaminhou as amostras ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise. Ainda assim, a Polícia Federal afirmou que não houve contaminação externa.
A investigação também inclui Michael Edward Miller, marido da professora e doutorando na universidade. A PF não detalhou o possível envolvimento até o momento.
A pesquisadora vai responde por furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado. Paralelamente, a universidade informou que colabora com as autoridades e abriu apuração interna.