Bolsonaro deixa hospital e inicia domiciliar com restrições rígidas

Bolsonaro deixa hospital após duas semanas e inicia prisão domiciliar com regras rígidas impostas pelo STF, que limitam comunicação, visitas e atuação política.
Bolsonaro deixa hospital em Brasília após internação por pneumonia - Foto: Reprodução/Redes Sociais
Jair Bolsonaro durante internação hospitalar em Brasília antes de receber alta e iniciar prisão domiciliar - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Após duas semanas de internação por broncopneumonia e sob decisão direta do Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro deixa hospital nesta sexta-feira (27/03), em Brasília, e inicia imediatamente o cumprimento de prisão domiciliar. A alta médica ocorre em meio a um quadro clínico considerado estável, mas acompanhada de restrições que limitam comunicação, visitas e deslocamento.

Além disso, o ex-presidente saiu do hospital DF Star pouco antes das 10h, acompanhado de Michelle Bolsonaro. Segundo o médico Brasil Ramos Caiado, a recuperação seguiu dentro do esperado. “A evolução foi tranquila e sem intercorrências”, afirmou, ao detalhar a transição da medicação para via oral.

Bolsonaro deixa hospital e entra em regime de controle

Ao mesmo tempo, a decisão do ministro Alexandre de Moraes estabelece um conjunto de medidas que redefine a rotina do ex-presidente fora do ambiente hospitalar. O regime domiciliar foi fixado por pelo menos 90 dias, com reavaliação prevista ao fim desse período.

Entre as restrições, Bolsonaro deverá usar tornozeleira eletrônica e não poderá utilizar celular, telefone ou redes sociais. Além disso, está proibido de gravar ou divulgar conteúdos, ainda que por intermédio de terceiros, o que restringe sua presença pública.

Ainda assim, o controle inclui a suspensão de visitas por 90 dias. Apenas filhos, advogados, médicos e fisioterapeuta estão autorizados. Durante essas visitas, celulares devem ser recolhidos. A Polícia Militar do Distrito Federal realiza a fiscalização, com envio de relatórios semanais ao STF.

Saída hospitalar de Bolsonaro altera dinâmica política

Por outro lado, a saída hospitalar de Bolsonaro ocorre em um contexto que reduz sua capacidade de articulação direta. A proibição de comunicação e o bloqueio de visitas políticas limitam o contato com aliados e a participação em decisões externas.

Nesse cenário, aliados avaliam que Michelle Bolsonaro tende a ampliar sua influência no núcleo próximo. Como reside no local, ela mantém acesso contínuo, enquanto interlocutores enfrentam restrições impostas pela decisão judicial.

Enquanto isso, o senador Flávio Bolsonaro mantém agenda fora de Brasília, inclusive nos Estados Unidos. Segundo essa leitura atribuída a aliados, ele deve atuar à distância, já que a rotina de viagens limita sua presença no cotidiano do pai.

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Alta médica de Bolsonaro e próximos passos

Por fim, a alta médica de Bolsonaro não encerra o acompanhamento clínico. O ex-presidente deve retornar ao hospital no fim de abril para realizar uma cirurgia de artroscopia no ombro direito, conforme previsão da equipe médica.

De acordo com Caiado, o procedimento segue protocolo que exige intervalo de cerca de quatro semanas após a recuperação da pneumonia. Nesse período, a limitação de contato também busca evitar complicações como sepse, conforme justificativa apresentada por Moraes.

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Jussier Lucas

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

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