Desemprego sobe no Brasil a 5,8% e renda bate recorde

Desemprego sobe no Brasil para 5,8% em fevereiro, mas renda recorde de R$ 3.679 sustenta consumo e revela mudança no ritmo do mercado de trabalho.
desemprego sobe no brasil trabalhadores atravessando rua mercado de trabalho - Foto: Wilson Dias/Arquivo/Agência Brasil
Trabalhadores atravessam rua em área urbana; taxa de desemprego sobe para 5,8% enquanto renda atinge recorde - Foto: Wilson Dias/Arquivo/Agência Brasil

No início de 2026, em um cenário de ajuste típico após o fim das contratações de fim de ano, o desemprego sobe no Brasil para 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (27/03) pelo IBGE. O indicador avançou em relação aos 5,4% até janeiro e aos 5,2% até novembro, refletindo a perda de ritmo na geração de vagas no curto prazo.

Apesar dessa elevação, o resultado mantém o mercado de trabalho em patamar historicamente baixo para o período. Trata-se da menor taxa para trimestres encerrados em fevereiro desde 2012. Ao mesmo tempo, o rendimento médio mensal atingiu R$ 3.679, o maior valor da série, com alta de 2% no trimestre e de 5,2% em 12 meses, já descontada a inflação.

IBGE mostra desemprego sobe no brasil, mas renda sustenta consumo

Ao detalhar os dados, o IBGE aponta que o país tinha 102,1 milhões de ocupados e 6,2 milhões de desocupados. Em relação ao trimestre encerrado em novembro, houve redução de 874 mil postos de trabalho, enquanto o nível de ocupação caiu para 58,4%.

Ainda assim, a leitura do mercado não é homogênea. Embora o desemprego avance, a massa de rendimento chegou a R$ 371,1 bilhões, com crescimento anual de 6,9%. Esse desempenho indica que a renda do trabalho segue sustentando o consumo das famílias, mesmo com a desaceleração na criação de vagas.

Para entender o cenário, os principais dados da pesquisa indicam:

  • Taxa de desemprego: 5,8%
  • População ocupada: 102,1 milhões
  • População desocupada: 6,2 milhões
  • Rendimento médio: R$ 3.679
  • Massa de renda: R$ 371,1 bilhões

Além disso, a estrutura do mercado mostra estabilidade em segmentos relevantes. O número de trabalhadores com carteira assinada permaneceu em 39,2 milhões, enquanto os trabalhadores por conta própria somaram 26,1 milhões, com alta de 3,2% em um ano.

Alta do desemprego no brasil reflete efeito sazonal e fim de contratos

Segundo a coordenadora do IBGE, Adriana Beringuy, a elevação da taxa está associada ao encerramento de contratos temporários, sobretudo no setor público. Ela afirma que “parte expressiva dos ocupados é provida por contratos temporários”, que se encerram na transição entre anos.

Esse padrão atinge principalmente setores como educação, saúde e construção, que concentram vínculos sazonais. Além disso, atividades ligadas a obras e reparos tendem a desacelerar no início do ano, o que reduz a demanda por mão de obra nesses segmentos.

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Economistas veem ajuste: desemprego sobe no brasil sem deterioração estrutural

A leitura de economistas converge para um ajuste de curto prazo, e não para uma deterioração estrutural do mercado de trabalho. Antonio Ricciardi, do Daycoval, avalia que a alta era esperada e aponta que a taxa ajustada sazonalmente ficou em 5,5%.

Por outro lado, André Valério, do Inter, afirma que a taxa de juros elevada tem reduzido o dinamismo do mercado de trabalho. Já Rafael Perez, da Suno, projeta que a desocupação pode se aproximar de 6,0% até o fim de 2026.

Nesse contexto, o fato de que o desemprego sobe no Brasil ao mesmo tempo em que a renda cresce indica uma mudança na dinâmica do mercado. A economia passa a combinar menor intensidade na abertura de vagas com manutenção do poder de compra dos trabalhadores.

Por fim, ao observar esse conjunto de indicadores, o dado de que o desemprego sobe no Brasil sinaliza um momento de transição no mercado de trabalho. A renda elevada ainda sustenta a atividade, mas a perda de tração na ocupação sugere maior sensibilidade do emprego ao ambiente de juros altos e desaceleração econômica ao longo de 2026.

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Jussier Lucas

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

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