EUA X IRÃ: prazo ampliado trava acordo e impacta economia global

EUA X IRÃ entram em nova fase com prazo ampliado por Trump, petróleo acima de US$ 108 e impacto direto no crescimento global e nas cadeias produtivas.
Donald Trump anuncia ampliação de prazo em meio à tensão EUA X IRÃ - Foto: Reprodução/Youtube
Donald Trump durante reunião na Casa Branca ao anunciar novo prazo para acordo com o Irã - Foto: Reprodução/Youtube

Nesta quinta-feira (26/03), o confronto EUA X IRÃ avançou para um novo estágio após Donald Trump ampliar até 6 de abril o prazo para um acordo, mantendo a ameaça de intensificar ataques. Nesse contexto, a decisão ocorre enquanto o petróleo supera US$ 108 e já afeta projeções econômicas em escala global.

Ao mesmo tempo, Trump anunciou a suspensão por 10 dias de bombardeios contra a infraestrutura energética iraniana. Segundo o presidente, as negociações avançam. Ainda assim, ele afirmou que os iranianos enfrentariam “o pior dos pesadelos” caso rejeitem o acordo. Além disso, declarou não saber se ainda deseja concluir a negociação.

EUA X IRÃ e o petróleo no centro da disputa

O impacto econômico do confronto EUA X IRÃ já aparece nos números. O barril do Brent fechou a US$ 108,01, com alta de 5,7%. Diante disso, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revisou previsões de crescimento. Por exemplo, o Brasil caiu de 1,7% para 1,5%, enquanto o Reino Unido perdeu 0,5 ponto percentual.

Além disso, o Estreito de Ormuz ganhou papel determinante. A rota concentra cerca de 20% do petróleo global, e seu trecho mais estreito tem apenas 33 km, o que favorece o controle iraniano. Nesse cenário, a região apresenta relevo montanhoso e rotas previsíveis, o que amplia o risco para navios e reforça o peso estratégico do país.

O governo iraniano rejeitou a proposta americana de 15 pontos, considerada unilateral por uma autoridade ouvida pela Reuters. Por sua vez, o chanceler Abbas Araqchi afirmou que não há negociação direta com os Estados Unidos. Apesar disso, o ministro paquistanês Ishaq Dar confirmou a existência de conversas indiretas com apoio de países como Turquia e Egito.

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Tensão entre Washington e Teerã

No campo militar, a situação permanece ativa. Israel anunciou a morte de Alireza Tangsiri, comandante da Marinha da Guarda Revolucionária desde 2018, associado a operações no Estreito de Ormuz. Além disso, forças israelenses afirmaram ter eliminado mais de 30 integrantes do Hezbollah no sul do Líbano.

Por outro lado, o Irã manteve ataques na região. Em Abu Dhabi, duas pessoas morreram após destroços de um míssil interceptado. Já em Israel, fragmentos atingiram um carro em Kafr Qasim, a 25 km de Tel Aviv. Ao mesmo tempo, o conflito já soma mais de 1,5 mil civis mortos.

Outro ponto envolve o uso direto da rota energética. Trump afirmou que o Irã permitiu a passagem de dez petroleiros como gesto de negociação. Na leitura de analistas de mercado, essa decisão indica uso deliberado da energia como instrumento de pressão geopolítica.

No fim, o confronto EUA X IRÃ passa a reorganizar variáveis econômicas globais. O petróleo acima de US$ 100 pressiona a inflação, encarece cadeias produtivas e altera projeções de crescimento. Assim, esse cenário indica que o conflito já extrapola o campo militar e redefine o custo da economia mundial.

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Jussier Lucas

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

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