A Polícia Federal (PF) iniciou nesta sexta-feira (27/03) a Operação Vem Diesel, uma ação nacional para investigar suspeitas de preços abusivos em postos de combustíveis após indícios de aumentos acima do custo real em meio à alta do petróleo provocada pela guerra no Irã.
A operação mobiliza agentes em 11 estados e no Distrito Federal para analisar preços nas bombas, notas fiscais e margens de lucro praticadas por postos e distribuidoras. Dados preliminares já apontam irregularidades em parte dos estabelecimentos fiscalizados, incluindo indícios de cobrança abusiva.
Operação Vem Diesel: margens elevadas entram na mira da fiscalização
Segundo informações das equipes envolvidas, um dos principais focos da operação é identificar distorções entre o preço de aquisição do combustível e o valor cobrado ao consumidor final.
Em alguns casos analisados, fiscais encontraram margens de lucro que chegaram a 277% no diesel, sem comprovação de aumento proporcional nos custos, segundo informações obtidas pela Folha de S.Paulo. A investigação também apura práticas como repasse antecipado de reajustes, venda de combustível adquirido mais barato por preços mais altos e retenção de estoques.
Há ainda suspeitas de alinhamento de preços entre concorrentes, o que pode configurar formação de cartel.
Alta internacional não explica todos os reajustes
A operação ocorre em um momento de forte volatilidade no mercado internacional de petróleo, impulsionada pela guerra no Irã. Na primeira quinzena de março, o preço do diesel vendido por refinarias e importadores subiu cerca de 40%.
Apesar disso, o governo avalia que parte dos aumentos registrados nas bombas não acompanha essa variação, indicando possível descolamento entre custo e preço final ao consumidor.
Esse cenário tem impacto direto na inflação e no custo de vida, já que o combustível influencia transporte, alimentos e outros setores da economia.
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O que caracteriza preço abusivo?
Mesmo sem controle direto de preços, a legislação brasileira estabelece limites. O Código de Defesa do Consumidor considera abusivo o aumento sem justa causa, ou seja, sem relação com custos reais, conforme reportagem do G1.
A apuração leva em conta fatores como notas fiscais de compra e venda, evolução dos preços ao longo do tempo, custos na cadeia produtiva e comparação com outros postos.
Entre os sinais mais comuns de irregularidade estão aumentos sem justificativa técnica, valores muito acima da média local e margens de lucro desproporcionais.
Postos podem sofrer sanções e investigação criminal
As irregularidades identificadas durante a operação podem resultar em multas, interdições e abertura de processos administrativos.
Nos casos mais graves, as equipes encaminham as informações à Polícia Federal, que investiga possíveis crimes contra a ordem econômica, tributária e as relações de consumo. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica também pode abrir ações para apurar práticas anticoncorrenciais.
A Secretaria Nacional do Consumidor orienta que consumidores registrem denúncias em casos de suspeita de preço abusivo. As reclamações podem ser feitas nos Procons estaduais e municipais, no site Consumidor.gov.br ou diretamente na ANP, pelo telefone 0800-970-0267.
Governo quer ampliar fiscalização com a Operação Vem Diesel
A operação desta sexta-feira faz parte de uma ofensiva iniciada no começo de março, que já fiscalizou milhares de postos e distribuidoras em todo o país.
O governo estuda transformar esse modelo em monitoramento permanente para conter aumentos considerados injustificados. Paralelamente, há discussões sobre medidas como subsídio ao diesel, ainda em análise com estados.