Houthis do Iêmen atacam Israel pela primeira vez e ameaçam rotas globais de petróleo

Houthis do Iêmen atacam Israel e ampliam o conflito para rotas estratégicas de petróleo, elevando riscos ao comércio global e à estabilidade energética.
Multidão no Iêmen em ato com bandeiras palestinas e houthis em meio ao conflito no Oriente Médio
Manifestantes ligados aos houthis ocupam ruas no Iêmen em meio à escalada do conflito com Israel e tensões no Mar Vermelho. Foto: Reprodução/YouTube

O ataque dos Houthis do Iêmen contra Israel neste sábado (28/03) marca a primeira ação direta do grupo contra o território israelense desde o início da atual escalada no Oriente Médio e abre uma nova frente no conflito, colocando uma das principais rotas de petróleo do mundo sob ameaça. O grupo lançou mísseis balísticos contra alvos militares, ampliando o alcance geográfico da guerra e elevando o risco para além do confronto entre Israel, Irã e aliados.

As Forças de Defesa de Israel confirmaram a interceptação de ao menos um projétil, enquanto sirenes e explosões foram registradas em cidades como Beer Sheba e Tel Aviv.

Houthis do Iêmen atacam Israel: o que acontece agora?

  • Ataque com mísseis balísticos contra Israel;
  • Interceptação confirmada pelas forças israelenses;
  • Expansão do conflito para a Península Arábica;
  • Risco direto a rotas globais de petróleo.

A ofensiva ocorre após cerca de um mês de confrontos envolvendo Israel, Irã e grupos aliados. Nesse período, ataques já afetaram o transporte aéreo global, interromperam exportações de petróleo e pressionaram os preços de combustíveis. A entrada dos houthis adiciona um novo vetor de instabilidade, especialmente por sua posição estratégica próxima a rotas marítimas críticas.

Ataque dos houthis pressiona rotas globais

O grupo afirmou ter atingido alvos militares considerados sensíveis e declarou que manterá operações enquanto persistirem ações contra Irã, Líbano, Iraque e territórios palestinos. Segundo o porta-voz Yahya Saree, os ataques fazem parte de uma resposta coordenada dentro do eixo alinhado a Teerã.

Especialistas avaliam que a movimentação amplia significativamente o alcance do conflito. Para Jo Floto, da BBC, trata-se de uma expansão relevante para a Península Arábica. Já Farea Al-Muslimi, do Chatham House, aponta que um eventual bloqueio marítimo na região seria um cenário crítico para o comércio global.

Mar Vermelho entra no centro da crise

O ponto mais sensível envolve o Estreito de Bab el-Mandeb, uma das passagens mais estratégicas do mundo para o transporte de energia. Cerca de 12 por cento do petróleo transportado por via marítima global passa pelo local. Antes da atual escalada, a rota movimentava aproximadamente 1 trilhão de dólares em mercadorias por ano, conectando o Mar Vermelho ao Canal de Suez.

Os houthis já ameaçaram bloquear o estreito. Fontes iranianas citadas pela Agência Tasnim indicam que o grupo estaria preparado para assumir o controle da passagem. Um dirigente afirmou à Reuters que todas as opções estão disponíveis, com decisão dependente da liderança.

Diante desse cenário, os Estados Unidos emitiram alerta para riscos a embarcações comerciais. A Administração Marítima destacou que, mesmo sem ataques recentes após o cessar-fogo de 2025, o grupo continua representando ameaça a ativos americanos na região.

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No campo militar, a escalada ocorre em paralelo a ações do Irã e do Hezbollah. Ataques recentes atingiram ao menos 11 pontos em Israel e deixaram mais de uma dúzia de militares americanos feridos na Arábia Saudita. O conflito também já acumula mais de 70 mil mortos na Faixa de Gaza.

A entrada direta dos rebeldes iemenitas altera o equilíbrio do confronto ao atingir não apenas alvos militares, mas também gargalos logísticos globais. O impacto ultrapassa o campo de batalha e atinge cadeias energéticas, aumentando a pressão sobre o petróleo e reforçando um cenário de instabilidade prolongada com efeitos diretos na economia internacional.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1 News Brasil, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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