O avanço do comércio exterior no Nordeste reposiciona o Complexo do Pecém na estratégia logística e energética do Ceará. O porto registrou 20.961.587 toneladas em 2025, com alta de 7% sobre 2024. Assim, nesta terça-feira (24/03), os dados indicam mais do que crescimento. Na prática, eles apontam mudança no papel do ativo na economia regional.
Além disso, o desempenho operacional reforça a ampliação da capacidade. O terminal avançou 27% nos contêineres em 2025. Por outro lado, a exportação de frutas cresceu 14%, ampliando a presença internacional.
O porto opera com 10 berços no terminal offshore. Além disso, está conectado a 4 linhas semanais de longo curso e 7 linhas semanais de cabotagem. Dessa forma, o ativo se consolida como plataforma integrada. Ou seja, reúne porto, área industrial e Zona de Processamento de Exportação (ZPE). A estrutura fica entre Caucaia e São Gonçalo do Amarante, a cerca de 60 km de Fortaleza.
Complexo do pecém investimentos e novos projetos
O volume de investimentos previstos até 2030 reposiciona o ativo como polo industrial e energético. Nesse sentido, entre os principais projetos, o HUB de Hidrogênio Verde (H2V) reúne R$ 66 bilhões. Além disso,já conta com sete précontratos assinados. Com isso, o início de operação está previsto para 2030.
No campo energético, a térmica a Gás Natural Liquefeito (GNL) prevê R$ 6 bilhões. Segundo o cronograma, a operação deve começar em janeiro de 2030. Nesse cenário, a previsão é de movimentação de 18 milhões de metros cúbicos. Paralelamente, o Terminal Gás do Nordeste terá R$ 1,04 bilhão. Da mesma forma, ele deve operar a partir de 2030, com capacidade de 500 miltoneladas por ano.

Já o Terminal de Tancagem soma R$ 600 milhões. Desse total, R$ 430 milhões correspondem à primeira fase. Por sua vez, a operação está prevista para 2027. Além disso, o Projeto Jandaia prevê R$ 430 milhões. Adicionalmente, há a previsão de um grande data center, embora sem valor divulgado.
A logística será ampliada com a Transnordestina. Nesse contexto, o investimento inicial é de R$ 1,3 bilhão. A operação deve começar em janeiro de 2028. Já no primeiro ano, a ferrovia deve movimentar 6 milhões de toneladas. Como resultado, o porto pode alcançar até 28 milhões de toneladas.
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Porto do pecém expansão industrial e energética
A reorganização da matriz logística e energética no Nordeste passa pelo complexo portuário do Pecém. Dessa forma, o ativo reúne projetos industriais, ferroviários e energéticos no mesmo território. Assim, amplia a capacidade de atrair cadeias produtivas ligadas a energia limpa, exportação e processamento industrial.

A gestão ocorre por meio de joint venture entre o Governo do Ceará e o Porto de Roterdã. Atualmente, desde dezembro de 2024, o complexo é presidido por Max Quintino. Além disso, o ativo conquistou o Selo de Sustentabilidade do Ministério de Portos e Aeroportos, alinhando expansão a critérios ambientais.
Ao integrar porto, energia e ferrovia, o complexo do pecém assume papel ampliado na economia regional. Em síntese, o aumento de carga, somado aos novos projetos, indica um ciclo de expansão em curso. Dessa maneira, o Ceará tende a ganhar espaço no comércio exterior e na agenda industrial e energética do país.