A base do governo derrubou, na madrugada deste sábado (28/03), o relatório da CPMI do INSS que previa o indiciamento de mais de 200 pessoas, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Sem acordo, o colegiado encerrou os trabalhos sem aprovar qualquer relatório final sobre o esquema bilionário de fraudes em benefícios de aposentados e pensionistas.
O parecer apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar sugeria o indiciamento de 216 pessoas. O texto incluía o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os principais alvos, além de nomes ligados a diferentes esferas políticas e institucionais. O texto também defendia a prisão preventiva de Lulinha com base em indícios apontados ao longo da investigação.
Governo atua para barrar relatório com Lulinha
A base governista rejeitou a proposta por 19 votos a 12 e impediu o avanço do relatório. A votação ocorreu após uma sessão que se estendeu por mais de 15 horas e registrou troca de acusações e embates entre parlamentares.
A rejeição impediu o avanço do relatório, que incluía o nome de Lulinha entre os indiciados e previa o envio das conclusões à Procuradoria-Geral da República. O texto também atingia nomes de diferentes esferas políticas e sugeria medidas a serem encaminhadas ao órgão.
Relatório alternativo não é votado e CPMI termina sem conclusão
Apesar da derrota do relatório principal, o desfecho da comissão expôs um impasse mais amplo. Parlamentares da base apresentaram um relatório alternativo que sugeria o indiciamento de cerca de 130 pessoas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados, mas o presidente da comissão não colocou o texto em votação.
O presidente da CPMI encerrou a sessão sem colocar o parecer em análise, o que levou ao fim dos trabalhos sem qualquer documento aprovado. Na prática, a comissão terminou sem uma conclusão formal, mesmo após meses de investigação e coleta de provas.
A CPMI apurou um esquema que teria desviado cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas por meio de descontos associativos não autorizados. Ao longo dos trabalhos, a comissão reuniu depoimentos, quebrou sigilos e acumulou milhares de páginas de documentos. As investigações apontaram a atuação de entidades, operadores financeiros e agentes públicos.
Os dois relatórios apresentados ao final refletiram leituras opostas sobre a origem e a responsabilidade pelo esquema. Enquanto o texto de Gaspar concentrava críticas no governo atual e incluía Lulinha entre os alvos, o relatório alternativo da base atribuía a consolidação das fraudes a decisões e omissões ocorridas durante o governo anterior e propunha o indiciamento de Bolsonaro como chefe da organização criminosa.
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Sem consenso e pressionada pelo prazo final de funcionamento, a comissão encerrou suas atividades sem produzir uma posição oficial consolidada. Os órgãos responsáveis, como a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal, ainda podem receber o material reunido para avaliar eventuais medidas, mas a ausência de um relatório aprovado reduz o peso institucional das conclusões.
O encerramento sem desfecho formal expõe um cenário de disputa política que impediu o Congresso de formalizar uma resposta ao esquema. A investigação terminou sem uma conclusão oficial, mesmo após atingir milhões de beneficiários do INSS.