Nome por trás da vitória de Bolsonaro em 2018 vira estrategista da campanha de Flávio

O estrategista responsável pela vitória de Jair Bolsonaro em 2018 passa a atuar como estrategista de campanha de Flávio Bolsonaro. A entrada marca uma tentativa de reorganizar a atuação política e reforçar a presença digital em meio a disputas internas no campo conservador.
Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro em evento político com expressão séria
Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro em imagem que remete ao ambiente político que marcou a campanha de 2018. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O estrategista responsável pela campanha que levou Jair Bolsonaro à Presidência em 2018 voltou ao centro do jogo político e agora passa a redesenhar a campanha de Flávio Bolsonaro para 2026. A entrada de Marcos Carvalho, fundador da AM4, marca uma tentativa de reorganizar a atuação do grupo em um cenário mais fragmentado e competitivo.

No sábado (28/03), Flávio Bolsonaro indicou que pretende concentrar cerca de 90% da campanha no ambiente digital, sinalizando uma estratégia que retoma elementos centrais de 2018, mas com ajustes diante das mudanças nas plataformas e no comportamento do eleitor.

Retorno do estrategista de campanha reativa a fórmula de 2018 para Flávio Bolsonaro

A presença de Carvalho reforça esse movimento. Ele foi um dos nomes associados à construção da estratégia digital que impulsionou Bolsonaro em 2018, baseada em forte mobilização nas redes sociais e comunicação direta com a base. Agora, retorna em um contexto diferente, marcado por maior concorrência interna e menor controle sobre a narrativa.

A nova fase da campanha não envolve apenas expansão digital. Flávio Bolsonaro também tem atuado para reduzir conflitos dentro do próprio campo político. O senador pediu que aliados evitem ataques entre si e adotem uma linha mais coordenada, numa tentativa de conter desgastes públicos que podem comprometer o desempenho eleitoral.

Campanha digital enfrenta disputa interna e dificuldade de coordenação

Esse esforço ocorre após episódios recentes envolvendo nomes como Gustavo Gayer, Nikolas Ferreira e Tarcísio de Freitas, que evidenciaram disputas por espaço e influência dentro da direita. Para analistas, esse ambiente fragmentado representa um dos principais desafios da estratégia.

Segundo especialistas em dados, o próprio funcionamento das redes dificulta esse tipo de controle. Conteúdos de confronto tendem a gerar mais engajamento do que mensagens alinhadas, o que pressiona campanhas a conviver com um nível constante de tensão interna.

Além da reorganização do discurso, a campanha também estabelece uma hierarquia clara de prioridades eleitorais, com foco em Presidência e Congresso Nacional. A estrutura indica que o projeto político vai além da disputa individual e busca ampliar influência institucional.

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Flávio tenta unir alcance nas redes com controle político da base

Ao mesmo tempo, o retorno do estrategista de 2018 sugere uma tentativa de recuperar a eficiência de uma fórmula que já funcionou, mas que agora enfrenta um ambiente mais saturado e menos previsível. A multiplicação de lideranças digitais e a disputa por atenção tornaram a coordenação mais difícil.

Nesse cenário, a campanha de Flávio Bolsonaro passa a operar em duas frentes simultâneas. De um lado, tenta ampliar alcance nas redes. De outro, busca reduzir ruídos internos. O desafio está em equilibrar esses dois objetivos, já que o engajamento digital segue fortemente associado ao conflito e à polarização.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1 News Brasil, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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