A Operação Desfortuna voltou a repercutir ao ter a influenciadora digital Bia Miranda como um dos alvos da nova fase da investigação conduzida pela Polícia Civil do Rio na última sexta-feira (27/03). Na ação, os agentes apreenderam US$ 40 mil em cédulas cenográficas na casa da influenciadora, além de joias, um veículo e dispositivos eletrônicos.
O avanço da operação reforça o foco das autoridades em um esquema milionário de apostas online impulsionado por influenciadores digitais. Paralelamente, a polícia pediu à Justiça o bloqueio das contas da investigada, enquanto o material recolhido passa por perícia.
Como a Operação Desfortuna conecta Bia Miranda ao esquema
As apurações indicam que o caso vai além de simples publicidade nas redes. Segundo os investigadores, Bia Miranda teria movimentado cerca de R$ 4 milhões em um ano. Já o grupo sob investigação alcançou aproximadamente R$ 40 milhões em dois anos.
Os números, porém, podem ser ainda maiores. Relatórios do Coaf apontam movimentações que chegam à casa dos R$ 4 bilhões, sinalizando uma estrutura financeira muito mais ampla do que inicialmente se imaginava.
Nesse cenário, um ponto chama atenção dos investigadores: o modelo de remuneração. Contratos analisados previam ganhos adicionais atrelados às perdas dos usuários nas plataformas. Na prática, quanto mais o público perdia dinheiro, maior era o lucro dos envolvidos, mecanismo que ficou conhecido como “cláusula da desgraça alheia”.
Influenciadores ampliam alcance do sistema
A investigação também mostra como os influenciadores se tornaram peça-chave na expansão desse tipo de operação. De acordo com a polícia, os envolvidos recebiam, em média, R$ 250 mil a cada três meses pela divulgação das plataformas.
Esse modelo cria um incentivo direto à ampliação do número de apostadores. O retorno financeiro cresce com o engajamento e pode aumentar ainda mais quando vinculado às perdas do público.
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Outro fator que pesou no avanço da investigação foi a continuidade da divulgação de sites ilegais mesmo após a primeira fase da operação, realizada em agosto do ano passado. A Secretaria de Prêmios e Apostas, ligada ao Ministério da Fazenda, identificou que a atividade seguiu ativa, o que levou ao aprofundamento das apurações.
A defesa de Bia Miranda afirma que a apreensão não indica culpa e sustenta que o uso de itens cenográficos é comum no ambiente digital. Também nega que esses materiais tenham sido utilizados para atrair apostadores.
Até agora, a Operação Desfortuna já cumpriu 31 mandados de busca e apreensão em três estados, com a apreensão de dez veículos e diversos bens de alto valor.
No pano de fundo, o caso expõe um sistema que vai além de episódios isolados. O volume de dinheiro e o uso estruturado de influenciadores indicam um modelo de apostas online que cresce à margem da regulação e que tende a enfrentar maior pressão das autoridades nos próximos desdobramentos.