O avanço dos data centers no Ceará ocorre em meio à disputa global por áreas com energia disponível e conectividade internacional e, nesse contexto, ganha tração nesta terça-feira (24/03) com projetos que somam até R$ 200 bilhões. No Pecém, a ByteDance iniciou etapas de implantação de um complexo planejado para atingir 1 GW de capacidade e, ao mesmo tempo, operar integralmente com energia renovável.
Além disso, a estrutura do projeto foi dividida em 4 fases e 12 etapas, com R$ 15 bilhões alocados à primeira fase. Nesse sentido, o plano prevê 200 MW de carga de TI inicialmente, enquanto ao menos 40 MW devem entrar em operação até o terceiro trimestre de 2027. Durante a construção, mais de 3 mil trabalhadores devem ser mobilizados e, posteriormente, a operação estima 400 empregos diretos.
Data centers no Ceará
Por outro lado, o crescimento dos data centers no Ceará ocorre em um ambiente já estruturado. Atualmente, Fortaleza reúne 11 unidades em operação, incluindo ao menos quatro classificadas como Tier III, além de dois empreendimentos em construção. Entre os operadores, destacam-se Ascenty, Scala, Hostweb e V.tal, responsável pelo Mega Lobster.

Ao mesmo tempo, novos aportes ampliam a escala local. O projeto da Casa dos Ventos prevê cerca de R$ 150 bilhões, enquanto, paralelamente, a Angola Cables investe mais de R$ 400 milhões. Como resultado, forma-se uma base de infraestrutura digital com alta capacidade de interconexão e presença de cabos submarinos internacionais.
Nesse cenário, a disponibilidade energética aparece como variável determinante. Atualmente, o estado consome em média 1,65 GW, mas, em contraste, produz 4,5 GW apenas com fontes eólica e solar. Dessa forma, cria-se margem para operações intensivas em energia, como centros de processamento de dados.
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Centros de dados no estado
Além disso, o desenho do empreendimento da ByteDance inclui R$ 4 bilhões em novos parques eólicos, com capacidade estimada de 700 MW. Ao mesmo tempo, o sistema de resfriamento em circuito fechado permite a reutilização contínua da água, prática adotada em operações de grande escala para reduzir consumo hídrico.
No campo regulatório, por sua vez, há articulação entre Governo do Ceará, Governo Federal e BNDES para estruturar a atração desses projetos. Nesse contexto, o Confaz deve analisar, em março, proposta de redução de aproximadamente 80% do ICMS. Além disso, a legislação determina a aplicação de 2% dos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Paralelamente, outro vetor envolve a formação técnica. O Ceará passou a abrigar um campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), com cursos em engenharia de sistemas e energias renováveis alinhados à demanda por profissionais especializados nesse tipo de infraestrutura.
Diante desse quadro, os data centers no Ceará passam a refletir uma reorganização mais ampla da infraestrutura digital. Em especial, a combinação entre energia disponível, incentivos fiscais e conectividade internacional orienta a escolha de localização. Assim, os números do estado — produção elétrica superior ao consumo e concentração crescente de operadores — indicam uma disputa em curso por novos investimentos de grande escala.