A proposta dos EUA para encerrar o conflito com o Irã enfrentou rejeição nesta segunda-feira (30/03), em meio ao segundo mês de guerra, após Teerã classificar os termos como inviáveis. Enquanto Washington afirma avanço nas tratativas, o governo iraniano contesta a base das negociações e nega qualquer diálogo direto.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, classificou as condições como “fora da realidade, desproporcionais e excessivas”. Além disso, afirmou que não houve negociação direta com os Estados Unidos. Segundo ele, intermediários repassaram as mensagens, sem formato previamente acordado.
Por outro lado, o presidente Donald Trump apresentou uma avaliação distinta. Em entrevista ao Financial Times, declarou que as negociações indiretas “estavam avançando bem” e que um acordo pode ser fechado rapidamente. No entanto, ele não indicou prazo nem detalhou quais pontos teriam convergência.
Proposta dos EUA e impasse nas negociações
A divergência se concentra em uma lista com 15 pontos apresentada pelos Estados Unidos. De acordo com Baghaei, essas exigências são, em grande parte, “injustificáveis”. Além disso, ele contestou declarações anteriores de Trump de que o Irã teria aceitado a maioria das condições.
Esse contraste indica um cenário sem base comum. Enquanto os Estados Unidos tentam sustentar a percepção de avanço, o Irã mantém rejeição estrutural às condições. Assim, o diálogo permanece travado, mesmo com tentativas de mediação internacional.
Nesse contexto, o Paquistão atua como intermediador. O país indicou que pode sediar encontros “nos próximos dias”. Ainda assim, Teerã afirma que não participa do formato atual, o que fragiliza as tratativas indiretas.
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Oferta americana ao Irã e pressão energética
Além do impasse diplomático, a oferta americana ao Irã inclui um componente econômico sensível. Trump afirmou que os Estados Unidos poderiam assumir o controle do petróleo iraniano e citou a ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações do país.
Esse ponto amplia o alcance da crise. Como resultado, qualquer ação sobre Kharg pode afetar diretamente a oferta global de petróleo. Portanto, o conflito passa a pressionar preços internacionais e cadeias de abastecimento.
Além disso, a menção ao ativo energético indica que a negociação incorpora pressão econômica como instrumento paralelo. Isso eleva a tensão e dificulta a construção de consenso entre as partes.
A proposta dos EUA segue, portanto, no centro de um impasse que combina divergência política, disputa de narrativa e risco econômico. Embora Washington sinalize avanço, os dados indicam ausência de convergência real.