Alexandre de Moraes determinou um prazo de 24 horas, nesta segunda-feira (30/03), para que a defesa de Jair Bolsonaro explique ao Supremo Tribunal Federal (STF) um possível descumprimento das regras da prisão domiciliar. A decisão ocorre após Eduardo Bolsonaro divulgar um vídeo gravado durante evento político nos Estados Unidos.
Nesse contexto, o STF avalia se Jair Bolsonaro teve acesso indireto a conteúdo digital, o que viola as medidas cautelares. O despacho deixa claro que ele não pode manter comunicação externa, nem diretamente nem por intermédio de terceiros.
24 horas e o risco de revisão da prisão domiciliar
Moraes estabeleceu regras objetivas. Bolsonaro não pode usar celular, telefone ou redes sociais. Além disso, não pode gravar nem receber vídeos ou áudios. Ao mesmo tempo, as visitas passam por vistoria prévia, e os agentes recolhem aparelhos eletrônicos antes da entrada.
Ao fixar o prazo de 24 horas, Moraes sinaliza uma resposta rápida do Judiciário. Se houver descumprimento, o ministro pode determinar o retorno ao regime fechado ou a transferência para hospital penitenciário.
A prisão domiciliar foi concedida em caráter humanitário após Bolsonaro apresentar broncopneumonia, com risco de sepse e infecções. Por isso, o STF substituiu temporariamente o regime, mas manteve todas as restrições de comunicação.
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Prazo judicial imediato e seus desdobramentos
O fato que originou a decisão ocorreu no sábado (28/03), durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), nos Estados Unidos. Na ocasião, Eduardo Bolsonaro afirmou que mostraria ao pai um vídeo gravado no evento.
Em seguida, a gravação circulou nas redes sociais, o que ampliou a repercussão. Com isso, o caso chegou ao STF, que abriu prazo para esclarecimentos formais da defesa.
Além dessas limitações, Bolsonaro usa tornozeleira eletrônica e enfrenta restrição de visitas por 90 dias. Ainda assim, familiares, advogados e médicos podem acessar a residência. Outros visitantes precisam de autorização judicial.
Diante desse quadro, o prazo de 24 horas se torna decisivo para a manutenção da prisão domiciliar. A resposta da defesa deve esclarecer se houve violação das regras impostas.