Entenda a nova licença-paternidade e o impacto no trabalho dos pais

A nova lei da licença-paternidade ampliada aumenta o afastamento de 5 para até 20 dias até 2029 e cria estabilidade no emprego. A mudança impacta diretamente a rotina das famílias, fortalece a participação do pai nos primeiros dias do bebê e altera o custo do benefício, agora ligado à Previdência.
Pai brinca com bebê no gramado durante licença-paternidade ampliada no Brasil - Foto: Reprodução/ Agência Brasil
Nova lei amplia o tempo de licença-paternidade e fortalece a presença do pai nos primeiros dias do bebê - Foto: Reprodução/ Agência Brasil

A sanção da nova lei da licença-paternidade ampliada muda diretamente a vida de trabalhadores e famílias ao aumentar o tempo de afastamento e criar proteção contra demissões. A partir de 2027, pais terão mais dias com os filhos recém-nascidos, contarão com estabilidade no emprego e, além disso, passarão a ter um novo modelo de pagamento que reduz o custo direto para empresas.

Além disso, a mudança vai além do aumento de dias. Ao ampliar gradualmente a licença-paternidade ampliada de 5 para até 20 dias até 2029, a legislação altera a forma como o cuidado com o bebê se distribui dentro de casa e, consequentemente, reposiciona o papel do pai na dinâmica familiar.

O que muda na licença-paternidade ampliada

  • Tempo de afastamento sobe de 5 para até 20 dias
  • Ampliação será gradual entre 2027 e 2029
  • Criação do salário-paternidade pago via Previdência
  • Estabilidade no emprego até 1 mês após o retorno
  • Possibilidade de ampliação do prazo em casos específicos

Atualmente, o período curto de afastamento limita a participação paterna nos primeiros dias de vida da criança. Com a nova regra, no entanto, o pai ganha mais tempo para acompanhar o início da rotina familiar, apoiar a mãe e participar diretamente dos cuidados iniciais — fase, inclusive, considerada decisiva para o desenvolvimento do bebê.

Mais tempo em casa muda dinâmica da família

O principal efeito prático da ampliação aparece, прежде de tudo, na redistribuição das responsabilidades dentro de casa. Com mais dias disponíveis, o pai deixa de ocupar um papel secundário e, assim, passa a atuar de forma mais ativa no cuidado com o recém-nascido.

Como consequência, a mãe tende a enfrentar menor sobrecarga física e emocional, especialmente no período pós-parto, quando o apoio direto se torna essencial. Além disso, esse rearranjo pode contribuir para uma divisão mais equilibrada das tarefas no longo prazo.

Além disso, estudos citados por entidades como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) mostram que a participação do pai favorece o aleitamento materno e melhora o desenvolvimento neurocognitivo da criança. Portanto, o impacto da medida ultrapassa o curto prazo e alcança efeitos duradouros.

Proteção contra demissão muda relação com o trabalho

Outro ponto central da nova lei envolve a garantia de estabilidade no emprego. Nesse sentido, a legislação impede a demissão sem justa causa desde o início da licença até um mês após o retorno.

Na prática, essa regra reduz o risco de desligamentos ligados ao uso do benefício — uma preocupação comum entre trabalhadores. Com isso, por consequência, mais pais tendem a aderir à licença sem receio de perder renda ou emprego.

Além disso, a lei estabelece penalidades para empresas que tentarem evitar o uso do direito. Nesses casos, por exemplo, o empregador pode ser obrigado a pagar indenização em dobro.

Pagamento deixa de ser custo direto das empresas

A criação do salário-paternidade também muda a lógica econômica da licença. O empregador continuará pagando o funcionário durante o afastamento; no entanto, posteriormente, poderá compensar esse valor junto à Previdência Social.

Com essa mudança, portanto, o custo deixa de recair diretamente sobre as empresas, especialmente no longo prazo. Dessa forma, a medida reduz resistências à ampliação do benefício e tende a facilitar sua aplicação.

Ao mesmo tempo, o financiamento passa para o sistema público. Assim, a licença-paternidade ampliada se insere no campo das políticas sociais sustentadas pelo Estado.

Quando a nova regra começa a valer

  • 2027: 10 dias
  • 2028: 15 dias
  • 2029: 20 dias

Até lá, por enquanto, permanece a regra atual de cinco dias.

Além disso, a lei prevê situações específicas com maior proteção. Por exemplo, quando houver nascimento ou adoção de crianças com deficiência, o período poderá aumentar em um terço. Já na ausência da mãe, por outro lado, o pai poderá utilizar o tempo equivalente à licença-maternidade, de 120 dias.

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Mudança reposiciona papel do pai no Brasil

A licença-paternidade ampliada marca uma mudança relevante no modelo brasileiro, no qual a maternidade concentra a maior parte das responsabilidades e a paternidade ocupa um papel mais limitado.

Agora, porém, ao ampliar o tempo de afastamento, garantir estabilidade e transferir o custo para a Previdência, a nova lei cria condições concretas para uma divisão mais equilibrada do cuidado.

Na prática, portanto, esse movimento não se limita ao ambiente doméstico. Pelo contrário, ele tende a influenciar relações de trabalho, decisões de contratação e até a percepção social sobre o papel do pai nos primeiros momentos de vida de uma criança.

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Jussier Lucas

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

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