Dados apontam voos de Moraes em jatinhos ligados a Vorcaro; defesa nega

Registros oficiais apontam voos de Moraes em jatinhos entre 2025, com ligação indireta a empresário investigado. Defesa nega uso das aeronaves.
Alexandre de Moraes durante sessão do STF em Brasília
Alexandre de Moraes durante sessão do STF; ministro nega uso de jatinhos ligados a empresário investigado. Divulgação/TSE

Registros oficiais de aviação colocam o ministro do STF Alexandre de Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, como passageiros de ao menos oito voos em jatos executivos ligados ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entre maio e outubro de 2025. A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo na terça-feira (31/03).

O gabinete do ministro e o escritório da advogada negaram as conclusões e afirmaram que os dados interpretam os fatos de forma incorreta. O caso coloca frente a frente registros oficiais e a negativa categórica das partes citadas.

O que os dados mostram sobre os voos de Moraes nos jatinhos

O cruzamento de três bases oficiais permitiu identificar os voos: registros de embarque no terminal executivo de Brasília, dados de decolagens e o cadastro de propriedade das aeronaves.

Segundo apuração da Folha de S. Paulo, foram mapeados oito voos no período analisado. A maior parte ocorreu em aeronaves da Prime Aviation, empresa ligada a Vorcaro. Um dos deslocamentos ocorreu em agosto de 2025, em um jato Falcon 2000 que não tem autorização para operar como táxi aéreo.

Esse ponto chama atenção porque, de acordo com os registros, entre os sócios da aeronave estaria o pastor Fabiano Zettel, ligado ao empresário.

Em resumo, os dados indicam:

  • Oito voos no período analisado;
  • Predominância de aeronaves associadas à Prime Aviation;
  • Ao menos um voo em aeronave fora do padrão de táxi aéreo.

Vorcaro se entregou à Polícia Federal e acabou preso em uma fase recente da Operação Compliance Zero, o que aumenta a sensibilidade do caso.

Por que o caso ganha relevância?

Além dos voos, há um componente financeiro que amplia o interesse.

O escritório de Barci firmou, em 2024, um contrato com o Banco Master que previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões, podendo chegar a cerca de R$ 129 milhões ao longo de três anos, segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo.

O contrato foi encerrado em novembro de 2025, após a liquidação do banco pelo Banco Central. Esse contexto combina três fatores que elevam o peso do caso:

  • Uso de aeronaves privadas;
  • Ligação indireta com empresário investigado;
  • Contrato de alto valor.

O que diz a defesa

As manifestações seguem a mesma linha: negação total. O gabinete de Moraes afirmou que as informações são falsas e declarou que o ministro jamais viajou em aeronaves de Vorcaro ou esteve com Zettel.

O escritório de Barci afirmou que contrata regularmente serviços de táxi aéreo, incluindo a Prime Aviation, e que essas contratações seguem critérios operacionais, sem vínculo com proprietários das aeronaves. A defesa também sustenta que nenhum integrante conhece Zettel.

Outro ponto central da resposta é a contestação dos dados. Segundo a nota, as informações não identificariam com precisão os passageiros e fariam associações a partir da presença no terminal executivo, o que não comprovaria quem embarcou em cada voo.

Onde está o ponto central do caso

O caso se sustenta em duas versões incompatíveis. De um lado, registros oficiais indicam a realização dos voos e a ligação com aeronaves associadas a Vorcaro. Do outro, o ministro e o escritório negam qualquer uso desses aviões e questionam a validade das informações.

O desfecho depende de um ponto-chave: se os dados conseguem comprovar, de forma inequívoca, quem eram os passageiros em cada voo. Até lá, o episódio permanece aberto, com potencial de impacto político e institucional.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1 News Brasil, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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