Passagens devem subir até 20% e voos podem diminuir no Brasil

A alta de mais de 50% no querosene de aviação deve encarecer passagens em até 20% no Brasil. O aumento pressiona os custos das companhias, pode reduzir voos e afetar diretamente quem pretende viajar nos próximos meses.
Aeroporto lotado no Brasil com passageiros após alta nas passagens aéreas - Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo
Alta do combustível pressiona preços das passagens e pode reduzir voos no Brasil - Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo

Passagem aérea mais cara já começa a impactar o bolso do brasileiro após a alta do combustível de aviação anunciada pela Petrobras. O reajuste no querosene de aviação (QAV), que supera 50%, pressiona os custos das companhias e pode elevar os preços em até 20%, além de reduzir a oferta de voos no país.

Para quem pretende viajar, portanto, o cenário muda: tarifas mais altas, menos opções de horários e risco de cancelamento de rotas menos lucrativas.

Além disso, a pressão sobre o preço das passagens já começa a aparecer no setor. Esse cenário, por sua vez, reforça a tendência de passagem aérea mais cara nos próximos meses, à medida que o aumento do combustível se consolida nos custos das empresas.

Por que as passagens devem subir

O principal fator por trás da alta é o aumento superior a 50% no preço do querosene de aviação anunciado pela Petrobras. Como o combustível é o maior custo operacional das empresas, ele passa agora a responder por cerca de 45% das despesas do setor.

Na prática, isso significa que qualquer variação no preço do QAV impacta diretamente o custo de cada voo. Além disso, especialistas estimam que o gasto para transportar um passageiro por quilômetro pode subir em proporção semelhante.

Diante desse cenário, a passagem aérea mais cara deixa de ser uma possibilidade e passa a refletir um novo padrão do setor no curto prazo.

O que muda para quem vai viajar

Para o consumidor, o impacto aparece de duas formas. Em primeiro lugar, no preço final das passagens, que tende a subir principalmente em voos domésticos e rotas com menor concorrência.

Além disso, há um efeito menos visível, mas igualmente relevante. Com custos mais altos, companhias aéreas podem cortar voos considerados pouco rentáveis.

Como consequência, isso reduz a oferta de assentos e pressiona ainda mais os preços.

Ao mesmo tempo, o impacto não será apenas no valor da passagem. Em um cenário de custos elevados, pode ficar mais difícil encontrar voos disponíveis, principalmente para destinos menores ou fora dos grandes centros.

Por exemplo, destinos menos movimentados podem perder voos ou ter oferta reduzida, o que diminui as opções disponíveis e encarece ainda mais as tarifas, especialmente em períodos de maior demanda.

Além disso, viagens de lazer tendem a ser mais afetadas, já que esse tipo de demanda é mais sensível ao preço. Assim, quando a tarifa sobe, muitos consumidores optam por adiar ou cancelar a viagem.

Efeito em cadeia no setor aéreo

O setor aéreo opera com margens apertadas e pouca capacidade de absorver aumentos expressivos de custo. Por isso, o impacto costuma seguir um efeito em cadeia.

Primeiro, o combustível sobe. Em seguida, os custos operacionais aumentam. Depois, as empresas repassam parte desse custo ao consumidor. Como resultado, a demanda tende a cair, o que leva à redução da oferta de voos.

Esse ciclo, portanto, pode intensificar o encarecimento das passagens. Com menos voos disponíveis, a concorrência diminui e, consequentemente, os preços tendem a subir ainda mais.

Guerra no Oriente Médio explica alta do combustível

A origem da alta está no cenário internacional. Nesse contexto, o aumento do QAV acompanha a valorização do petróleo, impulsionada pela escalada do conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Desde o início da crise, o preço do barril saltou de cerca de US$ 70 para mais de US$ 100, chegando, em alguns momentos, a ultrapassar US$ 115.

Ainda que a maior parte do combustível seja produzida no Brasil, os preços seguem a paridade internacional. Dessa forma, oscilações externas são rapidamente repassadas ao mercado interno.

Governo tenta conter impacto no setor

Diante do risco de passagem aérea mais cara, o governo federal avalia medidas para reduzir a pressão sobre o setor aéreo.

Entre as propostas em análise estão, por exemplo:

  • redução temporária de tributos sobre o querosene de aviação
  • diminuição do IOF sobre operações financeiras das companhias
  • redução do Imposto de Renda sobre leasing de aeronaves

Além disso, também está em estudo a criação de uma linha de financiamento via Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac) para compra de combustível.

Ao mesmo tempo, a Petrobras anunciou um mecanismo para suavizar o impacto inicial. Em abril, o reajuste efetivo será de cerca de 18%, enquanto o restante será parcelado ao longo dos próximos meses.

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Quando o aumento deve chegar ao consumidor

O repasse não deve acontecer de forma imediata e uniforme. Isso porque ele depende da estratégia de cada companhia, da ocupação dos voos e do comportamento da demanda.

Em alguns casos, as empresas podem segurar parte do aumento no curto prazo para manter competitividade. No entanto, à medida que os custos se consolidam, o repasse tende a se tornar inevitável.

Assim, na prática, o consumidor deve perceber uma alta gradual nas passagens ao longo dos próximos meses, especialmente em períodos de maior procura.

Em síntese, o resultado é um cenário de passagem aérea mais cara, menos voos disponíveis e maior dificuldade para viajar no Brasil em 2026.

Foto de Jussier Lucas

Jussier Lucas

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

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