A corrida eleitoral de 2026 já começou no Ceará e já provoca efeitos diretos na estrutura de poder do estado. Entre terça-feira, 31 de março, e quarta-feira, 1º de abril, o governo estadual formalizou a exoneração de 21 secretários para cumprir a regra de desincompatibilização eleitoral, antecipando a reorganização política que deve influenciar as disputas de outubro.
A legislação eleitoral exige que gestores que pretendem disputar cargos deixem funções no Executivo até seis meses antes das eleições, marcadas para 4 de outubro. Na prática, a medida não é apenas administrativa. Ela funciona como um marco inicial do processo eleitoral e acelera decisões políticas dentro e fora do governo.
Retorno de deputados muda equilíbrio na Assembleia
Entre os exonerados estão parlamentares que estavam licenciados para atuar como secretários e que agora retornam aos seus mandatos na Assembleia Legislativa do Ceará. É o caso de Fernando Santana, Moisés Braz, Lia Gomes, Zezinho Albuquerque e Osmar Baquit.
Com o retorno dos titulares, os suplentes que ocupavam essas cadeiras deixam o Parlamento. Esse movimento altera a composição da Assembleia e impacta diretamente a dinâmica política interna, especialmente em um momento de pré-eleição.
Os suplentes afetados são Guilherme Sampaio, Nizo Costa, Guilherme Bismarck, Tin Gomes e Almir Bié. No caso de Osmar Baquit, há uma particularidade. Após reassumir o mandato, ele solicitou licença por interesse particular por 120 dias, mantendo Tin Gomes na função.
Outro ponto relevante é que nem todos os parlamentares deixaram o Executivo. O deputado Oriel Filho permanece como secretário da Pesca e Aquicultura.
Exonerações atingem áreas estratégicas do governo
A lista de exonerações vai além dos deputados e alcança nomes com peso político dentro da estrutura do governo. Entre eles estão a vice-governadora Jade Romero, que deixou a Secretaria da Proteção Social, e Chagas Vieira, que ocupava a Casa Civil.
Também foram exonerados gestores de áreas centrais da administração estadual, como Turismo, Cultura, Educação, Desenvolvimento Econômico e Cidades. As informações constam no Diário Oficial do Estado.
Entre os nomes exonerados estão:
- Eduardo Bismarck
- Domingos Filho
- Luísa Cela
- Eliana Estrela
- Zezinho Albuquerque
- Fernando Santana
- Moisés Braz
A abrangência das exonerações indica uma reorganização ampla da equipe de governo, alinhada ao calendário eleitoral e à preparação para as próximas disputas.
Janela partidária amplia reorganização política
O movimento ocorre ao mesmo tempo em que está aberta a janela partidária, período que permite a troca de partido sem perda de mandato. Esse fator amplia a reorganização política e contribui para a definição das chapas que disputarão as eleições.
Nos últimos dias, já foram registradas mudanças como a saída de Diego Barreto do PSDB, a filiação de Chagas Vieira ao PDT e a desfiliação de Tiago Lutiani do PT.
Outros nomes seguem em processo de definição, como Jade Romero e Eduardo Bismarck, que já indicaram possibilidade de mudança partidária, mas ainda não formalizaram novos vínculos.
Calendário eleitoral já influencia decisões do governo
A sequência de exonerações evidencia que o calendário eleitoral já orienta decisões dentro da gestão pública no Ceará. Mais do que cumprir uma exigência legal, o movimento reorganiza posições políticas, redefine espaços de atuação e antecipa a formação de alianças.
Com o prazo final de desincompatibilização previsto para 4 de abril, a expectativa é de que novas mudanças ocorram nos próximos dias. O cenário indica que, mesmo antes do início oficial da campanha, o ambiente político já opera em ritmo eleitoral.