Pagamentos de R$ 80 milhões a escritório ligado a Moraes levantam dúvidas sobre contrato

Pagamentos do Banco Master ao escritório de Viviane Barci ultrapassam R$ 80 milhões entre 2024 e 2025. O contrato previa valores mensais elevados, equipe jurídica ampla e atuação contínua, levantando dúvidas sobre o padrão da contratação.
Alexandre de Moraes e Viviane Barci após revelação de pagamentos do Banco Master - Foto: Ricardo Stuckert/PR
Pagamentos de R$ 80 milhões ao escritório de Viviane Barci foram declarados à Receita - Foto: Ricardo Stuckert/PR

Os pagamentos do Banco Master ao escritório de Viviane Barci de Moraes ultrapassaram R$ 80 milhões entre 2024 e 2025 e colocam em evidência um contrato jurídico de alto valor que chama atenção pelo volume financeiro e pela estrutura envolvida.

Segundo dados declarados à Receita Federal e enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, o banco realizou repasses mensais próximos de R$ 3,6 milhões ao longo de 22 meses. Além disso, o padrão contínuo de pagamentos e o valor elevado levantam questionamentos sobre a dimensão desse tipo de contratação no setor financeiro.

Na prática, o contrato estabeleceu uma consultoria permanente, com atuação direta dentro da instituição e mobilização constante de equipe jurídica.

Contrato milionário e atuação contínua

O Banco Master adotou um modelo de pagamento fixo mensal, o que indica prestação contínua de serviços. Entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, os valores somaram R$ 80.223.653,84.

Ao mesmo tempo, a estrutura do contrato reforça o porte da operação. O escritório mobilizou 15 advogados e realizou 79 reuniões na sede do banco. Além disso, coordenou o trabalho de outros três escritórios especializados, ampliando o alcance da atuação jurídica.

Esse formato, por sua vez, aponta para uma operação complexa, com múltiplas frentes de atuação e acompanhamento constante.

Valor mensal acima do padrão chama atenção

O valor mensal próximo de R$ 3,6 milhões se destaca como um dos principais pontos do caso. Em geral, contratos jurídicos contínuos indicam acompanhamento estratégico. No entanto, o montante total e a duração ampliam o peso financeiro da relação.

Somente em 2024, o banco pagou mais de R$ 40 milhões, mantendo o mesmo padrão mensal. Além disso, o contrato previa duração de três anos e valor total estimado em até R$ 129 milhões.

Dessa forma, mesmo com a interrupção antecipada, os valores já pagos colocam o acordo entre os de maior porte nesse tipo de serviço.

Interrupção após liquidação do banco

O Banco Central determinou a liquidação do Banco Master em novembro de 2025 e, com isso, encerrou as operações da instituição. Como consequência direta, o contrato jurídico também foi interrompido.

Esse desfecho explica por que o valor total previsto não foi atingido. Ainda assim, os pagamentos realizados mantêm relevância pelo volume já executado.

Sigilo fiscal e reação do escritório

O escritório Barci de Moraes afirmou que não confirma os valores divulgados e classificou as informações como sigilosas. Além disso, sustentou que houve vazamento indevido de dados fiscais.

Esse posicionamento acrescenta uma nova camada ao caso. Por um lado, os números chamam atenção; por outro, a origem das informações levanta debate sobre o uso de dados protegidos por sigilo tributário.

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O que os dados mostram na prática

Os registros permitem entender com mais clareza a dinâmica do contrato. O banco realizou pagamentos fixos elevados, manteve uma equipe numerosa dedicada ao caso e garantiu presença constante dos advogados na instituição.

Além disso, o escritório coordenou outras bancas, o que reforça o caráter estruturado da operação.

Em síntese, o caso revela um modelo de consultoria jurídica contínua, de alto custo e com atuação integrada. Por isso, o volume financeiro passa a atrair maior atenção e análise sobre esse tipo de contratação.

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Jussier Lucas

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

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