Os pagamentos do Banco Master ao escritório de Viviane Barci de Moraes ultrapassaram R$ 80 milhões entre 2024 e 2025 e colocam em evidência um contrato jurídico de alto valor que chama atenção pelo volume financeiro e pela estrutura envolvida.
Segundo dados declarados à Receita Federal e enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, o banco realizou repasses mensais próximos de R$ 3,6 milhões ao longo de 22 meses. Além disso, o padrão contínuo de pagamentos e o valor elevado levantam questionamentos sobre a dimensão desse tipo de contratação no setor financeiro.
Na prática, o contrato estabeleceu uma consultoria permanente, com atuação direta dentro da instituição e mobilização constante de equipe jurídica.
Contrato milionário e atuação contínua
O Banco Master adotou um modelo de pagamento fixo mensal, o que indica prestação contínua de serviços. Entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, os valores somaram R$ 80.223.653,84.
Ao mesmo tempo, a estrutura do contrato reforça o porte da operação. O escritório mobilizou 15 advogados e realizou 79 reuniões na sede do banco. Além disso, coordenou o trabalho de outros três escritórios especializados, ampliando o alcance da atuação jurídica.
Esse formato, por sua vez, aponta para uma operação complexa, com múltiplas frentes de atuação e acompanhamento constante.
Valor mensal acima do padrão chama atenção
O valor mensal próximo de R$ 3,6 milhões se destaca como um dos principais pontos do caso. Em geral, contratos jurídicos contínuos indicam acompanhamento estratégico. No entanto, o montante total e a duração ampliam o peso financeiro da relação.
Somente em 2024, o banco pagou mais de R$ 40 milhões, mantendo o mesmo padrão mensal. Além disso, o contrato previa duração de três anos e valor total estimado em até R$ 129 milhões.
Dessa forma, mesmo com a interrupção antecipada, os valores já pagos colocam o acordo entre os de maior porte nesse tipo de serviço.
Interrupção após liquidação do banco
O Banco Central determinou a liquidação do Banco Master em novembro de 2025 e, com isso, encerrou as operações da instituição. Como consequência direta, o contrato jurídico também foi interrompido.
Esse desfecho explica por que o valor total previsto não foi atingido. Ainda assim, os pagamentos realizados mantêm relevância pelo volume já executado.
Sigilo fiscal e reação do escritório
O escritório Barci de Moraes afirmou que não confirma os valores divulgados e classificou as informações como sigilosas. Além disso, sustentou que houve vazamento indevido de dados fiscais.
Esse posicionamento acrescenta uma nova camada ao caso. Por um lado, os números chamam atenção; por outro, a origem das informações levanta debate sobre o uso de dados protegidos por sigilo tributário.
Leia também:
O que os dados mostram na prática
Os registros permitem entender com mais clareza a dinâmica do contrato. O banco realizou pagamentos fixos elevados, manteve uma equipe numerosa dedicada ao caso e garantiu presença constante dos advogados na instituição.
Além disso, o escritório coordenou outras bancas, o que reforça o caráter estruturado da operação.
Em síntese, o caso revela um modelo de consultoria jurídica contínua, de alto custo e com atuação integrada. Por isso, o volume financeiro passa a atrair maior atenção e análise sobre esse tipo de contratação.