Flávio Dino trava decisão sobre eleição no RJ e mantém indefinição

Flávio Dino suspendeu no STF o julgamento sobre a eleição no RJ, mantendo indefinido se haverá voto popular ou escolha pela Alerj. A decisão agora depende do TSE e prolonga a incerteza sobre quem comandará o estado.
Flávio Dino suspende julgamento no STF sobre eleição no RJ - Foto: Luiz Silveira/STF
STF suspende julgamento sobre eleição no Rio de Janeiro após decisão de Flávio Dino - Foto: Luiz Silveira/STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), interrompeu nesta quinta-feira (09/04) o julgamento que definiria o modelo da eleição para governador do Rio de Janeiro. Com isso, a decisão ficou em aberto: ainda não há definição sobre voto popular ou escolha pelos deputados estaduais.

Na prática, a medida trava o processo político no estado e aumenta a incerteza sobre quem escolherá o próximo governador. Além disso, o Rio de Janeiro segue sem prazo para resolver a sucessão.

Dino pediu vista — instrumento que amplia o tempo de análise — justamente quando o STF já indicava maioria a favor da eleição indireta. Até agora, o placar está em 4 a 1 nesse sentido . Por isso, cresce a tendência de decisão concentrada na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Por que Dino interrompeu o julgamento

O ministro decidiu interromper o julgamento porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não publicou o acórdão sobre o caso do ex-governador Cláudio Castro (PL). Esse documento detalha os fundamentos da decisão da Corte eleitoral.

Sem essas informações, Dino entende que o STF não consegue concluir o julgamento com segurança. Em especial, ainda falta esclarecer como o TSE tratou a renúncia de Castro.

Esse ponto é decisivo. Isso porque define se a vacância tem natureza eleitoral ou não. Consequentemente, essa classificação determina o modelo de eleição.

Além disso, Dino alertou para o risco de insegurança jurídica. Por esse motivo, decidiu suspender a análise até que o cenário esteja completo.

O que já foi decidido no STF

Mesmo com a interrupção, os votos já mostram uma maioria clara.

Os ministros Luiz Fux, André Mendonça, Nunes Marques e Cármen Lúcia defenderam a eleição indireta. Nesse modelo, os deputados estaduais escolhem o novo governador.

Por outro lado, o relator Cristiano Zanin votou pela eleição direta, com participação da população.

Até aqui, os ministros favoráveis ao modelo indireto consideram que a vacância ocorreu por renúncia. Dessa forma, aplicam a legislação estadual que prevê eleição pela Alerj.

O julgamento agora depende do TSE

Com o pedido de vista, o STF passou a depender diretamente do TSE.

O acórdão pendente deve esclarecer três pontos centrais:

  • como a Corte avaliou a renúncia de Cláudio Castro
  • quais fundamentos sustentaram a cassação
  • quais efeitos jurídicos foram reconhecidos

Essas respostas podem mudar o rumo do julgamento.

A ministra Cármen Lúcia afirmou que o documento sairá com prioridade. Ainda assim, não há prazo definido. Por isso, a indefinição continua.

Quem governa o Rio neste momento

Enquanto o STF não retoma o julgamento, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, governa o estado de forma interina.

Esse cenário resulta de uma sequência de eventos. Primeiro, Cláudio Castro renunciou ao cargo às vésperas do julgamento no TSE. Além disso, o estado já não tinha vice-governador. Por fim, outros nomes da linha sucessória ficaram impedidos.

Diante disso, o Rio permanece sob gestão provisória.

Leia também:

O que está em jogo para a população

A decisão do STF define, na prática, quem escolhe o próximo governador.

Se a Corte optar pela eleição direta, os eleitores participarão da escolha. Mesmo assim, o mandato será temporário.

Por outro lado, se prevalecer a eleição indireta, os deputados estaduais tomarão a decisão.

Assim, o julgamento impacta diretamente o papel do eleitor no estado.

Até que o TSE publique o acórdão e o STF retome a análise, o Rio de Janeiro seguirá em compasso de espera. Enquanto isso, a definição sobre o modelo de eleição continua em aberto.

Foto de Jussier Lucas

Jussier Lucas

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

Veja também

Mais lidas