O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), interrompeu nesta quinta-feira (09/04) o julgamento que definiria o modelo da eleição para governador do Rio de Janeiro. Com isso, a decisão ficou em aberto: ainda não há definição sobre voto popular ou escolha pelos deputados estaduais.
Na prática, a medida trava o processo político no estado e aumenta a incerteza sobre quem escolherá o próximo governador. Além disso, o Rio de Janeiro segue sem prazo para resolver a sucessão.
Dino pediu vista — instrumento que amplia o tempo de análise — justamente quando o STF já indicava maioria a favor da eleição indireta. Até agora, o placar está em 4 a 1 nesse sentido . Por isso, cresce a tendência de decisão concentrada na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Por que Dino interrompeu o julgamento
O ministro decidiu interromper o julgamento porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não publicou o acórdão sobre o caso do ex-governador Cláudio Castro (PL). Esse documento detalha os fundamentos da decisão da Corte eleitoral.
Sem essas informações, Dino entende que o STF não consegue concluir o julgamento com segurança. Em especial, ainda falta esclarecer como o TSE tratou a renúncia de Castro.
Esse ponto é decisivo. Isso porque define se a vacância tem natureza eleitoral ou não. Consequentemente, essa classificação determina o modelo de eleição.
Além disso, Dino alertou para o risco de insegurança jurídica. Por esse motivo, decidiu suspender a análise até que o cenário esteja completo.
O que já foi decidido no STF
Mesmo com a interrupção, os votos já mostram uma maioria clara.
Os ministros Luiz Fux, André Mendonça, Nunes Marques e Cármen Lúcia defenderam a eleição indireta. Nesse modelo, os deputados estaduais escolhem o novo governador.
Por outro lado, o relator Cristiano Zanin votou pela eleição direta, com participação da população.
Até aqui, os ministros favoráveis ao modelo indireto consideram que a vacância ocorreu por renúncia. Dessa forma, aplicam a legislação estadual que prevê eleição pela Alerj.
O julgamento agora depende do TSE
Com o pedido de vista, o STF passou a depender diretamente do TSE.
O acórdão pendente deve esclarecer três pontos centrais:
- como a Corte avaliou a renúncia de Cláudio Castro
- quais fundamentos sustentaram a cassação
- quais efeitos jurídicos foram reconhecidos
Essas respostas podem mudar o rumo do julgamento.
A ministra Cármen Lúcia afirmou que o documento sairá com prioridade. Ainda assim, não há prazo definido. Por isso, a indefinição continua.
Quem governa o Rio neste momento
Enquanto o STF não retoma o julgamento, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, governa o estado de forma interina.
Esse cenário resulta de uma sequência de eventos. Primeiro, Cláudio Castro renunciou ao cargo às vésperas do julgamento no TSE. Além disso, o estado já não tinha vice-governador. Por fim, outros nomes da linha sucessória ficaram impedidos.
Diante disso, o Rio permanece sob gestão provisória.
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O que está em jogo para a população
A decisão do STF define, na prática, quem escolhe o próximo governador.
Se a Corte optar pela eleição direta, os eleitores participarão da escolha. Mesmo assim, o mandato será temporário.
Por outro lado, se prevalecer a eleição indireta, os deputados estaduais tomarão a decisão.
Assim, o julgamento impacta diretamente o papel do eleitor no estado.
Até que o TSE publique o acórdão e o STF retome a análise, o Rio de Janeiro seguirá em compasso de espera. Enquanto isso, a definição sobre o modelo de eleição continua em aberto.