Coaf identifica movimentações atípicas em empresa de Léo Dias após repasses do Banco Master

Relatórios do Coaf apontam que empresa de Léo Dias movimentou mais de R$ 34 milhões, com parte relevante vinda do Banco Master. O órgão identificou indícios de operações atípicas, como pagamentos a terceiros e fluxo financeiro sem justificativa clara.
Léo Dias e investigação sobre repasses do Banco Master apontados pelo Coaf - Foto: Reprodução/X
Relatório do Coaf aponta movimentações financeiras atípicas em empresa ligada a Léo Dias - Foto: Reprodução/X

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram que empresas ligadas ao jornalista Léo Dias movimentaram mais de R$ 34 milhões entre 2024 e 2025. Parte relevante dos recursos veio do Banco Master. Segundo o órgão, há indícios de irregularidade. Entre eles, pagamentos a terceiros sem justificativa e saídas financeiras maiores que as entradas.

Após os repasses milionários do Banco Master a empresas de mídia, o caso ganha um novo foco. Agora, a análise recai sobre a estrutura financeira ligada a Léo Dias. Além dos valores recebidos, o que chama atenção é a forma como o dinheiro circulou.

O que o Coaf considerou suspeito nas movimentações

O Coaf identificou sinais claros de inconsistência financeira. No período de 15 meses, as saídas somaram R$ 35,7 milhões. Já as entradas ficaram em R$ 34,9 milhões.

Esse desequilíbrio acende um alerta. Em geral, empresas não operam com saídas maiores que receitas de forma recorrente. Por isso, o órgão avalia que a conta pode ter sido usada para movimentar recursos de terceiros.

Além disso, o relatório aponta pagamentos de boletos em nome de outras pessoas ou empresas. Esses registros não apresentam justificativa clara. Por esse motivo, entram na lista de operações suspeitas.

Outro ponto relevante envolve a velocidade das transferências. Em diversos casos, o dinheiro entrou e saiu rapidamente das contas. Esse padrão dificulta o rastreamento. Por isso, costuma aparecer em investigações financeiras.

Quanto veio do Banco Master

Os dados mostram que o Banco Master enviou ao menos R$ 9,9 milhões diretamente para a empresa de Léo Dias entre fevereiro de 2024 e maio de 2025.

Além disso, outros R$ 2 milhões chegaram por meio de uma empresa ligada ao banco. Com isso, o total associado ao grupo atinge cerca de R$ 11,9 milhões.

Esse valor tem peso relevante. Ele representa cerca de 28% de todo o faturamento da empresa no período analisado.

As informações constam em relatórios do Coaf obtidos pelo Estadão .

Conexões empresariais ampliam o alcance das suspeitas

A apuração também revela vínculos indiretos. Parte das operações envolve empresas ligadas a pessoas próximas ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Entre elas, aparece um empresário que já manteve negócios com Fabiano Zettel. Ele é apontado como operador financeiro do banco em investigações anteriores.

Além disso, há um pagamento de R$ 2,6 milhões feito pela empresa de Léo Dias a uma companhia conectada a esse grupo.

Essas ligações ampliam o escopo do caso. Portanto, indicam que o fluxo financeiro pode ir além de contratos comerciais simples.

Defesa aponta contratos publicitários

Léo Dias nega qualquer irregularidade. Segundo o jornalista, todos os valores têm origem em contratos publicitários.

De acordo com a defesa, os pagamentos vieram do Will Bank. O banco digital fazia parte do grupo Master e foi liquidado pelo Banco Central.

Além disso, o jornalista afirma que não houve investimento ou participação societária do banco em suas empresas.

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O que está em jogo no caso

O novo capítulo reforça as suspeitas sobre o uso de recursos do Banco Master durante sua crise financeira.

Mais do que os valores, o padrão das movimentações preocupa os órgãos de controle. Isso ocorre porque há sinais de circulação de dinheiro sem justificativa clara.

Por enquanto, não há conclusão definitiva sobre irregularidades. Ainda assim, os indícios aumentam a pressão sobre os envolvidos.

Se confirmadas, as operações podem gerar desdobramentos relevantes. Isso inclui investigações mais amplas e possíveis responsabilizações.

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Jussier Lucas

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

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