Milhões de reais pagos pelo Banco Master a políticos, ex-ministros e veículos de comunicação entraram na mira de órgãos de controle. Relatórios da Receita Federal, do Banco Central (BC) e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram quem recebeu, quanto foi pago e por que essas transações são consideradas suspeitas.
Os documentos revelam um fluxo financeiro amplo ligado ao banco comandado por Daniel Vorcaro. Além disso, as investigações indicam que contratos de consultoria e serviços jurídicos podem ter sido usados para viabilizar pagamentos com objetivo de influência política ou institucional.
Entre os principais valores identificados, está o repasse de cerca de R$ 38 milhões a uma empresa ligada ao ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten. Segundo os relatórios, os pagamentos ocorreram enquanto o banqueiro enfrentava demandas jurídicas e estratégicas.
Já o escritório de advocacia do ex-presidente Michel Temer recebeu R$ 10 milhões em 2025. No entanto, Temer afirma que o valor corresponde a uma atividade de mediação jurídica de R$ 7,5 milhões. Por isso, a diferença entre os números passou a ser analisada pelos órgãos de controle.
Outro ponto central envolve o portal Metrópoles. O veículo recebeu R$ 27,2 milhões entre 2024 e 2025. O Coaf classificou os repasses como suspeitos.
Além do volume elevado, o relatório aponta um comportamento incomum. Os valores eram transferidos rapidamente para outras empresas ligadas ao mesmo grupo. Dessa forma, os investigadores passaram a questionar a finalidade real das operações.
Justificativas e defesa dos envolvidos
Os citados nas investigações afirmam que os pagamentos correspondem a serviços prestados. Fábio Wajngarten diz que recebeu pelos trabalhos realizados. Da mesma forma, Michel Temer sustenta que atuou dentro da legalidade em atividade jurídica específica.
O Banco Master e Daniel Vorcaro também negam irregularidades. Segundo o banco, todas as operações seguem as normas vigentes e foram declaradas às autoridades competentes.
Ainda assim, os órgãos de controle mantêm a análise. Isso porque o foco não está apenas nos contratos, mas na compatibilidade entre os serviços prestados e os valores pagos.
Indícios que sustentam a investigação
Os investigadores cruzaram os repasses com momentos estratégicos da atuação do banco. Em vários casos, os pagamentos coincidem com períodos de expansão e com processos administrativos em órgãos federais.
Por isso, os relatórios reforçam a suspeita de uso dos recursos para influenciar decisões regulatórias ou garantir apoio institucional.
Outro ponto relevante envolve o ex-diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza. Segundo o relatório, ele simulou a venda de um imóvel a um parente de Vorcaro para ocultar o recebimento de vantagem indevida.
Além disso, a operação apresenta divergências nos valores registrados. Mesmo após a suposta venda, familiares continuaram administrando o imóvel. Esse conjunto de fatores reforça a suspeita de transação fictícia.
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Caso avança e envolve STF e contratos públicos
A investigação também chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). O tribunal solicitou explicações à Prefeitura de São Paulo sobre a relação entre o Banco Master e concessionárias do setor funerário.
O objetivo é entender se o banco financiou empresas que assumiram contratos públicos após a privatização do serviço. Além disso, os investigadores analisam possíveis irregularidades na estrutura societária dessas operações.
Enquanto isso, Receita Federal, Banco Central e Coaf seguem examinando os dados. Agora, o foco é determinar se os repasses configuram operações legais ou um possível sistema estruturado de influência envolvendo dinheiro, poder político e comunicação.