Um registro oficial aponta que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” e ligado ao Banco Master, foi enterrado antes da própria morte.
Além disso, o dado contradiz documentos formais e revela uma sequência de inconsistências no caso. O erro aparece em um sistema público da Prefeitura de Belo Horizonte e, até agora, as autoridades não explicaram a divergência.
Ao mesmo tempo, a morte do operador ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro segue cercada de lacunas e ocorre sob investigação com acesso restrito.
Linha do tempo revela contradições
O sistema da Prefeitura de Belo Horizonte indica que “Sicário” foi sepultado em 8 de fevereiro de 2026.
No entanto, registros oficiais mostram que ele morreu apenas em 6 de março de 2026, quase um mês depois da data registrada para o enterro.
Segundo a Polícia Federal (PF), ele tentou tirar a própria vida enquanto estava preso na carceragem da corporação. Em seguida, equipes o socorreram e o levaram ao Hospital João XXIII, na capital mineira.
A defesa afirma que a morte ocorreu por morte encefálica, causada pela falta de oxigênio no cérebro.
No dia seguinte, o cartório registrou oficialmente o óbito, em 7 de março.
Mesmo assim, o sistema municipal mantém a data anterior para o sepultamento. Até o momento, a Prefeitura não respondeu aos questionamentos.
Certidão de óbito não informa causa da morte
Outro ponto que amplia as dúvidas aparece na certidão de óbito.
O documento não informa a causa da morte. Em vez disso, registra apenas que o dado está “aguardando exames”.
Segundo profissionais de cartório ouvidos sob reserva, esse tipo de registro não costuma ocorrer. Em situações semelhantes, normalmente consta ao menos uma indicação preliminar, como lesões auto-infligidas.
Por isso, no caso de “Sicário”, a ausência dessa informação mantém indefinida a versão oficial sobre o motivo do falecimento.
Documento também omite local do enterro
Além disso, a certidão de óbito apresenta outra lacuna: não informa onde ocorreu o sepultamento.
Dados oficiais indicam que o corpo foi enterrado no Cemitério do Bonfim, um dos mais tradicionais de Belo Horizonte. Ainda assim, essa informação não aparece no documento cartorial.
Dessa forma, a ausência reforça a falta de padronização entre os registros e dificulta a verificação completa dos dados.
STF barra acesso a informações
Enquanto isso, o acesso aos dados do caso permanece limitado.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, negou o compartilhamento de informações sobre a morte de “Sicário” com a CPI do Crime Organizado do Senado.
Na decisão, o ministro argumentou que as investigações ainda estão em andamento. Por esse motivo, os dados só poderão ser compartilhados após a conclusão das diligências.
Assim, a restrição impede que a comissão tenha acesso a elementos que poderiam esclarecer as divergências já identificadas.
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O que não fecha no caso
Diante disso, a análise dos registros revela três pontos centrais ainda sem explicação:
- Data de sepultamento anterior à morte em sistema oficial
- Ausência da causa da morte na certidão de óbito
- Falta de informação sobre o local do enterro no documento
Com isso, as inconsistências mantêm o caso sob questionamento, sobretudo por envolver um personagem ligado ao chamado Caso Banco Master, que já mobiliza investigações e atenção política.