O príncipe Harry está sendo processado por difamação pela ONG Sentebale, que ele próprio fundou, em um caso que veio à tona nesta sexta-feira (10/04) e expõe uma crise interna que saiu do controle. A ação coloca o Duque de Sussex no centro de uma disputa judicial com a própria instituição e levanta dúvidas sobre a gestão e a estabilidade da organização.
O caso foi revelado pela BBC com base em documentos judiciais analisados pela imprensa britânica. Segundo as informações, Harry é réu ao lado de Mark Dyer, que também integrou a administração da entidade. A ação, classificada como difamação — incluindo calúnia e injúria —, tramita no Tribunal Superior de Londres.
A disputa marca o ponto mais crítico de um conflito que vinha se arrastando dentro da Sentebale. O que começou como divergência sobre os rumos da organização evoluiu para acusações públicas, desgaste reputacional e, agora, um embate judicial.
Com príncipe Harry processado, crise na Sentebale chega à Justiça
A crise interna ganhou força em 2023, quando surgiram divergências sobre uma nova estratégia de arrecadação de fundos. A partir dali, a relação entre a cúpula da instituição se deteriorou de forma contínua.
De um lado estavam o príncipe Harry e o príncipe Seeiso, do Lesoto, cofundadores da ONG. Do outro, Sophie Chandauka, presidente do conselho. Com o agravamento das tensões, o ambiente se tornou insustentável.
Em março de 2025, Harry e Seeiso deixaram seus cargos de patronos da instituição, acompanhados por um grupo de administradores. Na época, os dois afirmaram que a relação com a presidente do conselho havia se tornado irreparável.
Acusações ampliaram o desgaste da ONG
A saída dos fundadores não encerrou o conflito. Após a ruptura, Chandauka acusou Harry de orquestrar uma campanha de intimidação e assédio para forçá-la a deixar o cargo.
A acusação elevou o nível da crise e levou a disputa para o campo público, afetando diretamente a imagem da Sentebale.
Por outro lado, Harry e Seeiso sustentaram que a gestão da instituição já enfrentava um impasse sem solução. O conflito, portanto, deixou de ser interno e passou a expor uma falha estrutural na governança da ONG.
Regulador britânico criticou a exposição do conflito
A Charity Commission, órgão regulador das instituições de caridade no Reino Unido, investigou o caso. Embora não tenha encontrado provas de intimidação ou misoginia, criticou a forma como a disputa foi conduzida.
Segundo o órgão, a exposição pública da crise prejudicou a reputação da Sentebale e comprometeu sua capacidade de atuação.
O CEO da comissão, David Holdsworth, afirmou que a disputa correu o risco de ofuscar as conquistas da instituição e afetar diretamente os beneficiários.
ONG fundada por Harry tinha forte valor simbólico
A Sentebale foi criada pelo príncipe Harry e pelo príncipe Seeiso para apoiar jovens no Botswana e no Lesoto, especialmente aqueles que vivem com HIV e Aids.
Além da atuação social, a iniciativa também carrega um peso simbólico: Harry a criou em homenagem à princesa Diana, sua mãe, conhecida por seu trabalho humanitário.
Ao longo dos anos, a ONG ganhou visibilidade internacional e atraiu apoio de doadores e parceiros.
Crise pode afetar doações e funcionamento da ONG
Com o avanço do processo, a Sentebale entra em uma fase de incerteza. Em organizações que dependem de confiança e financiamento externo, crises públicas tendem a gerar impactos diretos.
A disputa pode dificultar a captação de recursos, afetar parcerias e comprometer a continuidade de projetos voltados a jovens em situação de vulnerabilidade.
Esse efeito prático amplia a gravidade do caso, que deixa de ser apenas institucional e passa a atingir a operação da ONG.
Processo amplia desgaste de Harry
Para Harry, o caso representa mais um episódio de desgaste público com repercussão internacional. Desta vez, porém, o impacto é mais sensível, já que envolve uma instituição que ele ajudou a criar.
O conteúdo detalhado da ação ainda não foi divulgado. Mesmo assim, o avanço do processo já evidencia uma ruptura profunda entre o príncipe e a organização.
No centro da crise está uma questão mais ampla: como uma ONG criada com propósito humanitário chegou ao ponto de processar o próprio fundador. A resposta passa por disputas de gestão, quebra de confiança e incapacidade de conter o conflito a tempo.
O que o caso revela?
O processo entre o príncipe Harry e a ONG Sentebale expõe falhas de governança em uma organização de alcance internacional e mostra como conflitos internos podem comprometer sua missão.
No curto prazo, o caso mantém o tema em evidência global. No médio prazo, o desafio da Sentebale será recuperar credibilidade. Para Harry, o episódio adiciona pressão à sua imagem pública, agora diretamente ligada a uma crise em sua principal iniciativa humanitária.