A disputa presidencial simulada pelo Instituto Datafolha indica equilíbrio numérico entre os principais nomes testados, e os dados sobre votos no segundo turno reforçam esse cenário, mas a análise fica mais complexa quando se observa o contingente de eleitores que ainda não escolheu um candidato ou pretende anular o voto.
No cenário entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL), 8% dos entrevistados afirmam que votariam em branco, nulo ou em nenhum dos dois, enquanto 1% não soube responder. Isso representa 9% do eleitorado fora da disputa direta.
Em confrontos com outros nomes da direita, esse percentual cresce. Na simulação contra Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), o total de votos brancos, nulos e indecisos chega a 11%, com até 2% declarando não saber em quem votar. Esse grupo, embora muitas vezes tratado como residual, pode alterar completamente o resultado eleitoral.
Datafolha: por que votos do segundo turno são decisivos
Na prática eleitoral brasileira, o resultado do segundo turno é calculado apenas com base nos votos válidos, ou seja, excluindo brancos e nulos. Isso significa que quanto maior o volume de eleitores fora da disputa direta, menor é o número absoluto necessário para vencer.
Em um cenário de empate técnico, como o apontado pela pesquisa Datafolha 2026 segundo turno, pequenas variações nesse grupo podem deslocar a vantagem de um candidato para outro.
Se parte dos eleitores indecisos migrar de forma concentrada para um dos lados, o equilíbrio atual pode se romper rapidamente.
Empate técnico aumenta peso dos indecisos
Os números mostram que Lula aparece com 45% contra 46% de Flávio Bolsonaro, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Já contra Caiado e Zema, o presidente registra 45%, enquanto os adversários marcam 42%.
Embora os percentuais indiquem estabilidade, o volume de eleitores fora da disputa impede qualquer leitura definitiva sobre vantagem consolidada.
Em cenários assim, a eleição deixa de ser definida apenas pela base consolidada de cada candidato e passa a depender da capacidade de atrair quem ainda não decidiu.
Tendência é de redução, mas impacto permanece
Historicamente, o índice de votos brancos, nulos e indecisos tende a cair à medida que a eleição se aproxima. Ainda assim, mesmo uma redução parcial mantém esse grupo como fator relevante.
Com margens apertadas, como as registradas na pesquisa, uma oscilação de poucos pontos percentuais pode ser suficiente para definir o vencedor.
Isso torna o comportamento desse eleitorado um dos principais pontos de atenção para as campanhas.
O que a pesquisa mostra sobre o cenário eleitoral
O levantamento do Instituto Datafolha entrevistou 2.004 eleitores entre os dias 7 e 9 de abril, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03770/2026.
Os dados indicam um cenário de polarização mantida, mas com maior competitividade e espaço reduzido entre os candidatos, condição que amplia o peso de eleitores ainda fora da disputa direta.