Ex-modelo brasileira deportada dos EUA ameaça expor Trump e cita bastidores ligados a Epstein

Uma ex-modelo brasileira ameaça Donald Trump após ser deportada dos EUA. O caso envolve disputa judicial, possível influência política e conexões indiretas com Jeffrey Epstein, ampliando o impacto e a repercussão.
Ex-modelo brasileira ao lado de Donald Trump e Melania em evento nos EUA, em imagem ligada a caso com Epstein
Registro mostra a ex-modelo brasileira em evento com Donald Trump e Melania nos Estados Unidos, em contexto que hoje envolve ameaças públicas e conexões indiretas com o caso Epstein. Foto: Reprodução

A deportação da ex-modelo brasileira Amanda Ungaro dos Estados Unidos colocou sob suspeita os bastidores do sistema de imigração do país. A ex-modelo brasileira, que ameaça Trump, afirma que a prisão ocorreu após contato de um aliado de Donald Trump com autoridades migratórias. Em meio à disputa judicial com o ex-marido Paolo Zampolli, ela diz que o processo não foi apenas técnico, mas resultado de uma articulação indireta envolvendo relações de poder.

A crise ganhou dimensão internacional após publicações feitas por Amanda na rede social X, nas quais acusa o presidente americano e ameaça revelar informações acumuladas ao longo de duas décadas de convivência indireta com o círculo próximo de Trump. As mensagens foram apagadas, mas ampliaram o alcance de uma disputa que já envolvia Justiça, guarda de menor e acusações pessoais.

Mais do que o conteúdo das declarações, o caso chama atenção pela estrutura de relações que conecta figuras privadas ao núcleo político de Washington.

Aliado de Trump está no centro do caso da ex-modelo brasileira que o ameaça

O ponto de partida da disputa é o relacionamento de quase 20 anos entre Amanda Ungaro e o italiano Zampolli, atual enviado especial do governo Trump para parcerias globais. Além do cargo diplomático, ele mantém histórico de proximidade com o presidente americano.

Segundo relatos da própria Amanda e informações publicadas pelo The New York Times, Zampolli tomou conhecimento da situação migratória da ex-mulher e entrou em contato com um alto funcionário do ICE, o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos.

A partir desse movimento, Amanda foi presa e posteriormente deportada. O Departamento de Segurança Interna afirma que a medida ocorreu por irregularidade migratória, com visto vencido, e nega qualquer interferência política no processo.

Zampolli também rejeita ter solicitado favorecimento.

A sequência de eventos, no entanto, expõe um ponto sensível: o intervalo entre o contato e a ação das autoridades se torna central para entender se houve coincidência ou influência indireta.

O papel do ICE e os questionamentos sobre influência

O ICE é o órgão responsável por fiscalizar a permanência de estrangeiros nos EUA. Em tese, suas decisões seguem critérios técnicos e legais. O caso, porém, expõe como essas decisões passam a ser questionadas quando envolvem pessoas com acesso a círculos de poder.

Amanda sustenta que sua prisão ocorreu em meio à disputa pela guarda do filho do casal, hoje com 15 anos. O contexto transforma uma ação migratória em um episódio com possíveis implicações pessoais e políticas.

Ela descreve a abordagem policial como abrupta, com agentes entrando na residência nas primeiras horas da manhã e conduzindo a detenção na frente do filho.

De um lado, o governo americano afirma que a deportação seguiu regras migratórias. De outro, a versão apresentada pela ex-modelo sugere que o timing da ação pode não ter sido aleatório.

É nesse contraste que o caso ganha força e amplia o interesse público.

Conexões com o caso Epstein ampliam a pressão

Outro elemento que aumenta a atenção sobre o caso é a ligação indireta com o escândalo de Jeffrey Epstein, financista acusado de comandar uma rede de exploração sexual de menores.

Amanda afirma que, em 2002, viajou no avião de Epstein, onde diz ter visto cerca de 30 meninas jovens. Posteriormente, ela se relacionou com Zampolli, cujo nome aparece diversas vezes em documentos do Departamento de Justiça dos EUA ligados ao caso.

Não há acusação formal contra ele nesse contexto. Ainda assim, a presença recorrente em registros oficiais e a proximidade com figuras centrais do escândalo ampliam o peso político e midiático das declarações.

Disputa pessoal ganha dimensão institucional

O que começou como um conflito conjugal evoluiu para um caso com implicações institucionais. A combinação de fatores, deportação, disputa judicial, acusações de abuso e vínculos com figuras de alto escalão, cria um cenário em que a separação entre esfera privada e pública se torna mais frágil.

Ao ameaçar expor o casal Trump, Amanda desloca o caso para o campo político, mesmo sem apresentar, até o momento, provas públicas que sustentem as acusações mais graves.

Esse movimento altera a natureza do episódio. O caso deixa de ser uma disputa individual e passa a expor como relações pessoais atravessam estruturas de poder.

Impacto vai além das acusações

Mesmo sem comprovação imediata das alegações mais graves, o caso já produz efeitos concretos. Há desgaste reputacional, aumento da pressão por transparência e questionamentos sobre a autonomia de órgãos como o ICE.

Para além das declarações, o episódio levanta uma questão mais ampla: até que ponto sistemas institucionais conseguem se manter imunes quando interesses pessoais e conexões políticas entram em cena.

É essa dúvida, ainda sem resposta clara, que sustenta o impacto do caso e mantém o tema em evidência.

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Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1 News Brasil, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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