O México inicia, na próxima segunda-feira (13/04), a primeira etapa de um sistema de saúde do México inspirado no (Sistema Único de Sáude) SUS brasileiro, com impacto direto no acesso a consultas, exames e medicamentos. A mudança começa pelos idosos acima de 85 anos, grupo que hoje enfrenta mais dificuldade para manter atendimento contínuo, e deve alcançar milhões de pessoas sem cobertura estável no país.
A criação do sistema de saúde do México, nos moldes do SUS, tenta corrigir um problema estrutural: o acesso desigual ao atendimento. Atualmente, o país opera com redes separadas, onde o tipo de trabalho define o nível de acesso, o que deixa informais, desempregados e idosos mais expostos a falhas no atendimento.
Na prática, isso significa que muitos pacientes chegam a consultas sem histórico médico disponível ou enfrentam dificuldade para dar continuidade a tratamentos, especialmente em casos crônicos.
Modelo inspirado no SUS tenta unificar atendimento
Com a nova estrutura, o governo busca aproximar o funcionamento ao do SUS, em que o acesso não depende do vínculo empregatício. A proposta é integrar dados de diferentes redes e permitir que qualquer cidadão seja atendido com base em um cadastro único.
Isso deve evitar atendimentos sem informação prévia e reduzir a repetição de exames, um problema recorrente no sistema atual.
O que muda na prática para a população
A primeira fase do sistema de saúde do México prioriza idosos com mais de 85 anos e seus cuidadores. Eles serão os primeiros a receber um documento único de identificação, válido em toda a rede pública.
Hoje, muitos desses pacientes dependem de estruturas específicas, como o Instituto Mexicano del Seguro Social (IMSS) ou o Instituto de Seguridad y Servicios Sociales de los Trabajadores del Estado (ISSSTE), o que limita o acesso fora dessas redes.
Com o novo modelo, o paciente poderá circular entre unidades com maior facilidade, o que tende a reduzir barreiras no atendimento, principalmente em situações de urgência.
Informais e população sem cobertura devem ser os mais impactados
O novo sistema também mira um dos principais pontos de desigualdade: o acesso de trabalhadores informais, desempregados e pessoas fora do mercado formal.
Esse grupo, que hoje depende de serviços mais restritos da Secretaria de Saúde e programas estaduais, costuma enfrentar filas maiores e menor acesso a especialistas.
Com a ampliação da cobertura, o governo pretende incluir consultas preventivas, acompanhamento de doenças crônicas e acesso mais amplo a tratamentos contínuos.
Digitalização pode acelerar atendimento, mas expõe limite
Um dos pilares do sistema de saúde do México é a digitalização dos dados. O governo planeja um aplicativo que centraliza prontuários, exames laboratoriais e histórico médico.
Na prática, isso pode reduzir o tempo de diagnóstico e melhorar decisões clínicas. Mas há um limite. Cerca de 28% da população ainda não tem acesso à internet, o que pode dificultar o uso pleno da ferramenta.
Estrutura inicial tenta dar conta da demanda
Na primeira etapa, o governo prevê atingir cerca de 2 milhões de pessoas em 24 estados, com atuação em 47 municípios e mais de 2.059 módulos de cadastramento.
A rede conta com cerca de 2 mil centros médicos, considerados suficientes para a fase inicial. O documento de identificação deve ser entregue em até seis semanas após o cadastro, que vai até o dia 30 de abril.
As prioridades incluem atendimento emergencial, gravidez de alto risco, infartos, doenças neurológicas, câncer de mama, saúde mental e consultas preventivas.
Falta de profissionais pode pressionar o sistema
Apesar da ampliação do acesso, a capacidade de atendimento segue como ponto sensível, um desafio também observado em sistemas universais como o SUS. Dados da Organização Pan-Americana da Saúde mostram que o México ainda enfrenta limitações na oferta de profissionais.
Em 2021, o país tinha 26,09 médicos por 10 mil habitantes. No caso dos dentistas, eram apenas 0,11 por 10 mil pessoas em 2020, um número que indica possível sobrecarga no sistema.
A expansão prevista para 2028 inclui mais acesso a especialistas e foco em doenças crônicas, como Alzheimer, osteoartrite e artrite reumatoide, o que deve aumentar ainda mais a demanda por atendimento contínuo.