Offshore do Rei do Ovo compra triplex de Daniel Vorcaroantes da liquidação

A compra de um triplex por R$ 50 milhões pela Offshore do Rei do Ovo, relacionada a Ricardo Faria, levanta questões sobre a movimentação de ativos na crise do Banco Master. Realizada 28 dias antes da liquidação do banco, a transação pode indicar uma estratégia de blindagem patrimonial. O que realmente aconteceu?
Offshore do Rei do Ovo, ligada ao empresário Ricardo Faria. (Foto/Reprodução WEB)

A Offshore do Rei do Ovo, ligada ao empresário Ricardo Faria — fundador e controlador da Granja Faria, um dos maiores grupos produtores de ovos do Brasil, e associado à holding Golden Eggs —, comprou por R$ 50 milhões um triplex de Daniel Vorcaro em 20 de outubro de 2025, 28 dias antes da prisão do banqueiro e da liquidação do Banco Master. Segundo a revista Forbes, Faria tem fortuna estimada em cerca de R$ 17 bilhões. Àquela altura, o banco já operava sob pressão regulatória e enfrentava necessidade urgente de recompor capital.

Três dias antes da escritura, a empresa Golden Castle Real Estate, registrada em Delaware, adquiriu participação em uma estrutura especializada em CNPJs de prateleira em São Paulo. Em seguida, formalizou a operação no Brasil por meio da SF130X Participações Societárias. Embora o encadeamento societário não seja ilegal, a cronologia impõe uma questão objetiva: a alienação ocorreu semanas antes da liquidação do banco.

A engrenagem societária que antecedeu a liquidação

Conforme publicado pela jornalistas Natália Portinari e Amanda Rossi, do UOL, a SF130X tem como diretora a advogada Camila Ribeiro da Silva, ligada à Granja Faria. Por sua vez, a empresa vendedora foi a Super Empreendimentos, que administra o patrimônio imobiliário de Vorcaro, incluindo ativos residenciais de alto padrão.

Em 2022, a própria Super adquiriu o triplex por R$ 38 milhões. Posteriormente, revendeu o imóvel poucas semanas antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial, anunciada em 17 e 18 de novembro de 2025. Enquanto isso, a autoridade monetária avaliava a sustentabilidade da instituição. Ainda assim, ativos privados circulavam fora do perímetro da intervenção. Por isso, o descompasso temporal amplia o peso da operação.

Blindagem patrimonial em ambiente de crise

A discussão não se concentra na compra de um imóvel de luxo nem na utilização de holding patrimonial ou empresa no exterior. Em vez disso, o foco recai sobre a reorganização de ativos antes de um evento de ruptura institucional.

No caso do Banco Master, o banco ainda funcionava, porém enfrentava risco crescente de intervenção. Ao mesmo tempo, a venda do ativo já havia sido concluída. Assim, o intervalo entre a alienação e a liquidação desloca a análise para a reorganização patrimonial anterior ao colapso institucional. Em crises bancárias, essa distinção influencia diretamente a distribuição de perdas.

O que dizem os envolvidos

A assessoria da Granja Faria informou que Ricardo Faria está fora do Brasil e, portanto, não comentará. Já Camila declarou que uma corretora ofereceu o imóvel e que as certidões negativas não apontaram pendências. Quando questionada sobre a origem dos recursos da empresa sediada em Delaware, afirmou que não poderia responder.

Segundo ela, o triplex no Itaim Bibi estava vazio antes da compra e continua desocupado. Ainda assim, a operação integra o conjunto de transações que autoridades observam à luz da liquidação do banco e das apurações conduzidas por Banco Central e Polícia Federal.

E agora?

O Banco Central e a Polícia Federal avançam na apuração dos fatos que antecederam a liquidação do Banco Master. Em processos dessa natureza, autoridades costumam analisar a cronologia de atos societários e transações patrimoniais ocorridos no período anterior à intervenção.

A compra realizada pela Offshore do Rei do Ovo insere-se nesse contexto temporal. Até o momento, não há indicação pública de irregularidade na operação. ativos antes da intervenção altera a distribuição de riscos quando o sistema entra em colapso.

Foto de Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr. é jornalista e empreendedor, fundador do Sistema BNTI de Comunicação. Integra a equipe editorial do J1 News, com produção de conteúdos e análises voltadas às editorias de política, economia, negócios, tecnologia e temas de interesse público. Também atua editorialmente no Economic News Brasil e no Boa Notícia Brasil.

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