O ministro André Mendonça se reúne com a PF (Polícia Federal) nesta segunda-feira (23/02) para revisar o andamento da investigação sobre as fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. O encontro ocorre após o ministro autorizar a ampliação da perícia em ao menos 100 celulares apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero, redefinindo o ritmo do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).
Relator do caso desde o dia 12/02, após redistribuição interna no STF, Mendonça convocou delegados da Polícia Federal para apresentar um balanço atualizado das apurações. Segundo fontes ouvidas pela CNN, a reunião deve discutir os dados já encaminhados ao tribunal e avaliar próximos passos, inclusive novas quebras de sigilo. A investigação, contudo, esbarra em um desafio técnico imediato.
Mendonça se reúne com a PF e amplia perícia no STF
Na quinta-feira (19/02), Mendonça revogou decisão anterior que limitava a análise dos aparelhos a quatro técnicos. Agora, os dispositivos serão distribuídos a peritos do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, o que amplia a capacidade de extração de dados, indexação de provas e cruzamento de informações digitais.
A PF avalia reforçar a equipe para acelerar os laudos e reduzir o tempo de processamento dos conteúdos apreendidos. A ampliação da perícia pode influenciar diretamente o avanço do inquérito, sobretudo na identificação de fluxos financeiros e comunicações internas. Para além do volume de material, o tribunal também monitora o compartilhamento de informações sensíveis.
Compartilhamento de dados e articulação institucional
Na terça-feira (17/02), o ministro autorizou o envio à CPMI do INSS de dados obtidos por meio de quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático de Vorcaro. Desde dezembro, esse material estava sob custódia do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre.
Esta será a segunda reunião formal entre Mendonça e investigadores desde que ele assumiu a relatoria. No dia seguinte à redistribuição, a PF já havia feito uma exposição geral sobre a investigação criminal, incluindo a estrutura da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado responsável pelo caso.
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Ao concentrar decisões sobre perícia digital e acesso a provas, o relator reposiciona o eixo técnico do processo dentro do STF. A condução da apuração, agora com maior autonomia operacional da PF, pode redefinir prazos e estratégias de defesa.
No cenário jurídico e político, Mendonça se reúne com a PF quando a análise de provas digitais define o ritmo das grandes investigações financeiras. A condução dessa etapa pelo tribunal pode influenciar não apenas o caso Banco Master, mas também o padrão de supervisão judicial sobre operações complexas do sistema bancário e crimes corporativos.