Vorcaro desiste de ir à CPMI em meio à devolução de dados sigilosos ao colegiado

Vorcaro desiste de CPMI do INSS após decisão do STF que tornou o comparecimento facultativo e determinou a devolução de dados sigilosos ao colegiado. A investigação agora avança com foco na análise técnica das transações financeiras.
Vorcaro desiste de CPMI durante sessão da Comissão do INSS
Daniel Vorcaro durante sessão da CPMI do INSS antes do cancelamento da oitiva. Foto: Reprodução

Às vésperas da oitiva marcada para a próxima segunda-feira (23/02), às 16h, Daniel Vorcaro desiste de ir à CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e altera o ritmo da apuração sobre descontos indevidos em benefícios previdenciários. A ausência foi confirmada nesta sexta-feira (20/02).

A mudança ocorre após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça tornar, na quinta-feira (19/02), facultativa a presença do empresário e determinar a devolução à comissão dos dados obtidos por meio da quebra de sigilo fiscal, bancário e telemático. Com isso, a CPMI do INSS volta a ter acesso ao material que estava sob custódia do presidente do Senado.

Após a decisão, o ex-dono do Banco Master comunicou ao presidente da comissão, senador Carlos Viana, que não irá presencialmente ao Congresso e que desistiu de comparecer à comissão. A decisão altera o foco imediato do colegiado. A investigação, contudo, esbarra em uma redefinição de estratégia.

Vorcaro desiste de CPMI em meio a impasse sobre dados financeiros

Ao assumir a relatoria do caso, Mendonça autorizou Vorcaro a decidir se comparece ou não tanto à CPMI quanto à Comissão de Assuntos Econômicos. Também proibiu deslocamento em avião particular, permitindo apenas voo comercial ou aeronave oficial da Polícia Federal.

Sob prisão domiciliar após a Operação Compliance Zero, Vorcaro negociou alternativas para prestar esclarecimentos. Propôs ser ouvido em São Paulo apenas pelo presidente e pelo relator ou enviar respostas por escrito. Ainda assim, reiterou que não irá presencialmente ao Congresso, reforçando que desistiu de comparecer à comissão.

Acesso aos dados recoloca comissão no centro técnico

Em dezembro, a comissão autorizou a quebra de sigilos de Vorcaro. O ministro Dias Toffoli determinou que as informações permanecessem sob custódia do Senado até a conclusão de diligências da Polícia Federal. Agora, com a devolução do material, os parlamentares podem cruzar dados financeiros e relatórios da investigação.

Um integrante da comissão afirmou que o cancelamento “chega a ser benéfico”, pois permitirá examinar com profundidade as informações sobre as fraudes no INSS, que envolvem mais de R$ 100 milhões em descontos apontados como irregulares. Nesse cenário, o fato de que Vorcaro desiste da CPMI altera a dinâmica imediata dos trabalhos.

Nova oitiva desloca foco para rede de operadores

Com o cancelamento da oitiva confirmado e após comunicar que não irá presencialmente ao Congresso, a comissão ouvirá Ingrid Pikinskeni Morais Santos, ligada à Conafer. Requerimentos apontam suspeitas de ocultação patrimonial, operações financeiras sem justificativa econômica e uso de carros de luxo para circulação de recursos investigados.

O Banco Master mantinha acordo de crédito consignado com o INSS. A apuração busca identificar falhas de controle e eventual participação de dirigentes ou parceiros nas irregularidades.

No plano institucional, Vorcaro desiste de ir à CPMI em um momento em que o acesso aos dados pode pesar mais do que o depoimento político. A tendência é que a comissão concentre esforços na análise técnica das transações e nos vínculos entre operadores, enquanto o empresário avalia ambiente considerado mais previsível na CAE. O caso indica que, mais do que presença física, o embate se desloca para o terreno documental.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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