Os ataques dos EUA ao Irã realizados em conjunto com Israel na manhã deste sábado (28/02) recolocam o mercado de petróleo sob tensão ao atingir um dos principais produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e uma das áreas mais sensíveis da logística energética mundial.
Embora ainda não haja confirmação de danos diretos a ativos de energia, o risco geopolítico já influencia as expectativas para a oferta global.
O ponto mais sensível é o Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de um quinto do petróleo bruto comercializado no mundo. Qualquer restrição ao tráfego marítimo na região pode afetar não apenas exportações iranianas, mas também embarques de Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. A dimensão do impacto dependerá do alcance da escalada militar.
Ataques dos EUA ao Irã e o peso da oferta regional
O Irã produz aproximadamente 3,3 milhões de barris por dia, o equivalente a cerca de 3% da produção mundial. Além disso, suas exportações superam 2 milhões de barris diários, concentradas na Ilha de Kharg, principal terminal do país no Golfo Pérsico.
Grande parte desses volumes segue para a China, que absorve a maioria do petróleo iraniano apesar das sanções americanas. A infraestrutura de exportação inclui extensas áreas de armazenamento e múltiplos pontos de atracação, o que transforma qualquer ameaça ao terminal em fator imediato de preocupação para traders e seguradoras após os ataques ao Irã.
Até o momento, não há indicação de que a operação militar que causou os ataques dos EUA ao Irã tenha atingido instalações de produção, refino ou embarque. Ainda assim, operadores acompanham sinais de interferência na navegação ou restrições indiretas que possam elevar custos logísticos.
Estreito de Ormuz: gargalo estrutural
Teerã já afirmou no passado que pode fechar o Estreito de Ormuz em caso de conflito amplo. Analistas consideram o cenário extremo, mas reconhecem que ações de menor escala, como bloqueios temporários, interferência eletrônica ou presença militar ampliada, seriam suficientes para alterar a percepção de risco após os ataques ao Irã.

Mesmo países que possuem oleodutos alternativos para contornar Ormuz não conseguem redirecionar toda a produção por rotas terrestres. Isso mantém o estreito como gargalo estrutural da oferta global de petróleo e também de gás natural liquefeito, especialmente para o Catar.
Reação do mercado com ataque dos EUA ao Irã e histórico de choques
O histórico recente mostra que o mercado reage de forma aguda quando há ameaça concreta à infraestrutura energética. Em 2019, um ataque à instalação saudita de Abqaiq interrompeu temporariamente volume equivalente a cerca de 7% da oferta global, provocando salto imediato nos preços.
Por outro lado, quando confrontos anteriores não afetaram ativos estratégicos, a alta perdeu força rapidamente. A exemplo disso, a tensão EUA-Irã já vem provocando alta do petróleo nas últimas semanas. Porém, o comportamento do Brent dependerá, desta vez, da confirmação de danos físicos ou da extensão de eventuais retaliações.
No curto prazo, os ataques dos EUA ao Irã ampliam o prêmio de risco embutido no petróleo. Caso a infraestrutura energética permaneça intacta e o tráfego no Estreito de Ormuz siga operacional, a volatilidade pode se dissipar. Se houver interrupção relevante na oferta, o ajuste será mais amplo e poderá redesenhar o equilíbrio entre produção e consumo global.