O Boletim Focus hoje, divulgado pelo Banco Central nesta quinta-feira (27), trouxe nova redução nas projeções de inflação e juros para 2026. A mediana do mercado passou a estimar o Índice de Preços ao consumidor Amplo (IPCA) em 3,91% e a taxa Selic em 12,00% no próximo ano.
Há quatro semanas, a inflação esperada estava em 3,99%. A estimativa para a Selic também recuou em relação à semana anterior, quando era de 12,13%. O câmbio projetado para 2026 caiu para R$ 5,42, ante R$ 5,45 no levantamento anterior.
Apesar do ajuste nas variáveis monetárias, o crescimento econômico permaneceu praticamente inalterado. O Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 foi mantido em 1,82%, enquanto a estimativa para 2027 segue em 1,80%.
Boletim Focus de hoje desacelera inflação nas projeções de curto prazo
O relatório indica um IPCA, média da inflação, de 0,47% em fevereiro, 0,32% em março e 0,39% em abril. A inflação acumulada em 12 meses suavizada recuou para 3,92%. Já o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) caiu para 3,18%, reforçando a percepção de perda de força nos índices de preços.
A revisão do Boletim Focus de hoje abre espaço para continuidade do ciclo de redução gradual da taxa básica, caso o comportamento dos preços confirme as expectativas ao longo do ano.
Juros em trajetória de queda até 2029
Além da atual projeção da taxa Selic, que deve cair a 12,00% este ano, para 2027, a projeção da Selic permanece em 10,50%. Já em 2028, a estimativa é de 10,00% e em 2029, de 9,50%. A curva indica ajuste progressivo das condições monetárias nos próximos anos.
No câmbio, as projeções de curto prazo apontam valores próximos de R$ 5,25 em março e abril, sugerindo estabilidade do dólar frente ao real.
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Crescimento moderado e quadro fiscal pressionado no Boletim Focus de hoje
Mesmo com inflação mais baixa e juros em queda, o mercado não revisou o ritmo de expansão da economia. O cenário fiscal continua como ponto de atenção. A dívida líquida do setor público está estimada em 70,00% do PIB em 2026, com trajetória de alta nos anos seguintes.
Além disso, o resultado primário projetado para este ano segue negativo em -0,50% do PIB. Para analistas, a combinação de crescimento moderado e dívida crescente limita revisões mais otimistas para a atividade.
Portanto, no Boletim Focus de hoje, o conjunto de dados mostra inflação mais comportada e redução gradual dos juros, mas sem alteração relevante nas expectativas de crescimento para os próximos anos.