SUS oferece atendimento virtual gratuito para vício em jogos e apostas

Serviço gratuito pelo Meu SUS Digital oferece até 600 consultas mensais para adultos e familiares
O Gemini disse Mãos operam um smartphone exibindo uma plataforma de apostas esportivas e cassino online, ilustrando a facilidade de acesso aos jogos digitais no cotidiano. - Foto: Agência Brasil
O Gemini disse Mãos operam um smartphone exibindo uma plataforma de apostas esportivas e cassino online, ilustrando a facilidade de acesso aos jogos digitais no cotidiano. - Foto: Agência Brasil

O vício em jogos agora conta com uma nova frente de atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). O SUS passou a oferecer teleatendimento gratuito em saúde mental para adultos com problemas relacionados a apostas online, ampliando o acesso ao tratamento especializado.

O serviço funciona por meio do aplicativo Meu SUS Digital e integra uma estratégia do Ministério da Saúde para enfrentar o avanço das apostas digitais no país. A Pasta estima capacidade inicial de 600 atendimentos por mês, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, via Proadi-SUS, com investimento previsto de R$ 2,5 milhões.

Além dos pacientes, familiares e pessoas da rede de apoio também podem participar do acompanhamento, o que fortalece a abordagem terapêutica e amplia o alcance do cuidado.

Como funciona o atendimento para vício em jogos

O aplicativo estrutura o atendimento a apostadores com base em uma triagem digital integrada ao login oficial do governo. O fluxo combina identificação de risco e encaminhamento automático, conforme o nível detectado.

Etapas do processo:

  • Acesso via gov.br: o usuário entra no aplicativo utilizando sua conta oficial do governo federal.
  • Seleção da área de apostas: dentro da aba “Miniapps”, escolhe o serviço específico voltado ao tema.
  • Aplicação de autoteste validado no Brasil: o sistema apresenta um questionário com base científica para identificar sinais de dependência em apostas.
  • Encaminhamento conforme o risco identificado:
    • Risco moderado ou alto: o próprio sistema agenda automaticamente o teleatendimento.
    • Risco baixo: o aplicativo orienta a busca por atendimento presencial na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Unidades Básicas de Saúde (UBS).

As consultas ocorrem por vídeo, duram cerca de 45 minutos e podem integrar ciclos de cuidado com até 13 sessões por paciente. Além do atendimento individual, a equipe também organiza sessões em grupo.

Psicólogos e terapeutas ocupacionais conduzem o acompanhamento. Quando necessário, um psiquiatra entra no processo para ajustar a conduta clínica. Paralelamente, o serviço realiza telemonitoramento e mantém articulação com a rede local do SUS para encaminhamentos presenciais.

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Em 2025, o SUS registrou 6.157 atendimentos presenciais relacionados a vício em jogos. No entanto, técnicos identificaram que muitas pessoas evitam procurar ajuda.

Segundo o Ministério, vergonha, estigmatização e dificuldade para reconhecer a compulsão por apostas reduzem a busca espontânea por tratamento. Por isso, o formato digital tende a facilitar o primeiro contato, já que oferece mais privacidade e acessibilidade.

Além do teleatendimento, o governo estruturou outras ações. Entre elas estão a Plataforma de Autoexclusão Centralizada e o Observatório Saúde Brasil de Apostas. Dessa forma, a estratégia combina prevenção, monitoramento e assistência.

A Organização Mundial da Saúde classifica o transtorno do jogo como condição de saúde mental na CID-11, o que reforça a necessidade de políticas públicas específicas.

Enquanto isso, o orçamento federal destinado à saúde mental subiu de R$ 1,7 bilhão em 2022 para R$ 2,9 bilhões em 2025. Atualmente, o país conta com 6.272 pontos de atenção psicossocial.

Portanto, ao ampliar o acesso ao tratamento para ludopatia, o SUS tenta responder de forma mais ágil ao crescimento das apostas digitais e seus impactos na saúde mental da população.

Foto de Jussier Lucas.

Jussier Lucas.

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

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