A divergência de informações sobre a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, investigado pela Polícia Federal (PF) e conhecido como “Sicário”, ganhou novo capítulo nesta sexta-feira (06/03). O advogado Robson Lucas da Silva afirmou que Sicário não morreu e que o cliente segue internado em estado gravíssimo no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.
Segundo a defesa, Mourão permanece no Centro de Terapia Intensiva (CTI) e não houve abertura de protocolo de morte encefálica. Dessa forma, a avaliação médica relatada pela defesa indica que Sicário não morreu, embora permaneça em estado crítico e sob monitoramento permanente.
Sicário não morreu e defesa contesta versão da PF
A divergência começou quando a PF informou inicialmente que Mourão estaria morto. No entanto, pouco depois, a corporação recuou e declarou que não havia confirmação oficial do óbito. Com isso, a defesa passou a sustentar publicamente que Sicário não morreu, apontando um desencontro de informações sobre o estado clínico do preso.
De acordo com o advogado, a condição médica atual não indica abertura do protocolo de morte cerebral.
“O quadro permanece. O estado é grave. Não houve nenhuma evolução. Ele não melhorou, mas também não piorou”, declarou Robson Lucas da Silva a jornalistas.
Ainda segundo o defensor, a abertura desse protocolo depende de deterioração clínica. Entretanto, essa evolução não ocorreu até o momento. Por isso, ele afirmou que espera que o quadro não avance para essa situação.
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Tentativa de suicídio sob custódia da PF
Mourão foi hospitalizado depois de tentar tirar a própria vida enquanto estava preso na superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. Logo após o incidente, policiais prestaram os primeiros socorros no local.
Segundo a corporação, os agentes utilizaram adrenalina e desfibrilador para reanimá-lo. Em seguida, eles encaminharam o preso ao hospital para atendimento médico. Desde então, a defesa afirma que Sicário não morreu, mas permanece internado em estado gravíssimo.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que câmeras de segurança registraram toda a ação. Além disso, ele declarou que as imagens não apresentam pontos cegos e integrarão o inquérito aberto para esclarecer o episódio.
Sigilo médico limita divulgação do estado clínico
O Hospital João XXIII orientou a imprensa a procurar a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), responsável pela unidade. No entanto, a fundação informou que não divulga dados individualizados de pacientes.
Segundo a entidade, a restrição segue as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Assim, a equipe médica não divulgou oficialmente detalhes sobre o estado clínico de Mourão.
Antes do episódio, a defesa afirma que esteve com o investigado por volta das 14h do dia anterior. Na ocasião, segundo os advogados, ele estava em plena integridade física e mental.
Ao mesmo tempo, o episódio ampliou o debate político sobre o caso. O senador Carlos Viana (Podemos-MG) mencionou a hipótese de “queima de arquivo”. Contudo, a defesa rejeitou essa possibilidade. Enquanto a investigação segue em curso, a confirmação de que Sicário não morreu mantém a atenção sobre as circunstâncias do episódio e sobre os desdobramentos do inquérito conduzido pela Polícia Federal.