O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli informou nesta sexta-feira (06/03), por meio de nota, que não teve acesso ao material obtido a partir da quebra de sigilo do celular do banqueiro Daniel Vorcaro enquanto esteve à frente da relatoria do inquérito que investiga fraudes no Banco Master. Toffoli nega acesso aos dados extraídos pela Polícia Federal (PF) durante esse período.
Segundo o ministro, o material extraído dos aparelhos apreendidos pela Polícia Federal só chegou ao STF após o ministro André Mendonça assumir a relatoria do caso, em 12 de fevereiro deste ano. Nesse contexto, Toffoli nega acesso ao conteúdo durante o período em que esteve à frente do processo.
A manifestação ocorre no momento em que Mendonça determinou, nesta sexta-feira, a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para apurar o vazamento de dados da investigação do Banco Master. A decisão foi tomada após pedido apresentado pela defesa de Vorcaro, um dos alvos da apuração.
Toffoli nega acesso e detalha cronologia do inquérito
Na nota divulgada pelo gabinete, o ministro afirma que Toffoli nega acesso ao conteúdo que motivou novos desdobramentos da investigação. O comunicado detalha a tramitação das decisões durante o período em que conduziu o processo.
“Desde que assumi a relatoria da operação compliance zero até deixar a relatoria, deferi todas as medidas requeridas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, as investigações continuaram a ser realizadas normalmente e de forma regular, sem prejuízo da apuração dos fatos e nenhum pedido de nulidade foi deferido”, afirmou.
Segundo o relato, em 19 de dezembro de 2025 o STF recebeu documentos da 10ª Vara Federal de Brasília sobre o caso Banco Master. Nesse momento, segundo o ministro, não havia informações sobre o conteúdo dos celulares apreendidos.
Pedido da Polícia Federal e análise do material
Ainda conforme a manifestação, em 15 de janeiro de 2026 a PF solicitou a prorrogação do inquérito por 60 dias para realizar novas oitivas. O pedido também incluiu a análise de dez aparelhos celulares, além de computadores e arquivos em HDs de três instituições financeiras. Mesmo com a solicitação, Toffoli nega acesso ao material obtido a partir da quebra de sigilo.
No dia seguinte, Toffoli autorizou a extensão do prazo e permitiu que a análise do material fosse conduzida pela PF. Além do impacto jurídico do pedido, surge uma fragilidade institucional no acesso às provas.
Na própria nota, o ministro reforçou que a PF ainda não havia encaminhado ao Supremo o conteúdo dos celulares até sua saída da relatoria.
“Até o dia 12 de fevereiro de 2026, o material retirado dos aparelhos celulares apreendidos não havia sido encaminhado ao Supremo Tribunal Federal”, declarou.
Celular de Vorcaro impulsiona nova fase da investigação
As mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro levaram à deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal na quarta-feira (04/03). Na ação, o banqueiro foi preso novamente.
A operação também prendeu Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado pela investigação como operador financeiro do grupo. A operação também prendeu Felipe Mourão e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Mourão tentou suicídio menos de 24 horas após a prisão.
As investigações indicam que o Master, controlado por Vorcaro, estruturou uma captação agressiva de recursos por meio da emissão de CDBs com rentabilidade acima da média do mercado.
Leia também:
Julgamento da prisão no Supremo
Com a redistribuição do processo, o ministro André Mendonça passou a relatar o caso no STF. Agora, Toffoli nega acesso ao material que sustentou a nova fase da investigação. Segundo o ministro, as provas chegaram ao tribunal apenas após a mudança de relatoria.
A Segunda Turma do STF deve analisar, em 13 de março, se referenda a decisão do ministro André Mendonça. O colegiado é formado por Gilmar Mendes, Luiz Fux, Nunes Marques, André Mendonça e o próprio Toffoli.
As apurações da PF indicam que o esquema investigado pode ter causado prejuízo estimado em até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O fundo é responsável por ressarcir investidores em caso de quebra bancária.
Nesse contexto, Toffoli nega acesso ao conteúdo que desencadeou a nova etapa da operação e busca delimitar sua participação no inquérito. A reação evidencia que o caso Banco Master passou a ultrapassar a esfera financeira e expõe disputas institucionais dentro do Supremo Tribunal Federal.