STF abre inquérito após vazamento de mensagens de Vorcaro

STF investiga vazamento Vorcaro após divulgação de mensagens extraídas do celular do banqueiro. O ministro André Mendonça determinou abertura de inquérito para identificar responsáveis pelo acesso e possível quebra de sigilo de dados obtidos pela Polícia Federal.
STF investiga vazamento Vorcaro após decisão do ministro André Mendonça - Foto: Antonio Augusto/STF
Prédio do Supremo Tribunal Federal (STF) em Brasília, onde o ministro André Mendonça determinou investigação sobre o vazamento de mensagens ligadas ao caso Daniel Vorcaro. - Foto: Antonio Augusto/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) investiga o vazamento no caso Daniel Vorcaro após decisão do ministro André Mendonça, que determinou a abertura de inquérito para identificar quem teve acesso ao material extraído do celular do dono do Banco Master e pode ter permitido a divulgação das mensagens. A decisão foi tomada na sexta-feira (06/03).

A medida atende a um pedido da defesa do banqueiro. Segundo os advogados, conteúdos retirados dos aparelhos apreendidos pela Polícia Federal chegaram à imprensa na quinta-feira (05/03. Por isso, os defensores solicitaram uma investigação para descobrir a origem do vazamento.

STF investiga vazamento Vorcaro após pedido da defesa

A Polícia Federal apreendeu os celulares durante diligências ligadas às investigações que atingem Daniel Vorcaro. Depois, peritos analisaram os aparelhos e incluíram os dados em procedimentos que hoje tramitam no STF.

Diante da divulgação de trechos do material, a defesa pediu ao STF a abertura de um inquérito policial. Assim, o objetivo é identificar quem teve acesso aos dados e poderia ter quebrado o dever de confidencialidade.

Na decisão, Mendonça determinou que a investigação identifique os responsáveis pela guarda do material sigiloso. Dessa forma, os investigadores devem esclarecer se alguém descumpriu a obrigação legal de preservar as informações.

Investigações do STF e CPMI seguem separadas

O ministro também relembrou uma decisão tomada em 20 de fevereiro de 2026. Na ocasião, ele determinou que a Presidência do Congresso Nacional devolvesse à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS (CPMI do INSS) os dados obtidos pela própria comissão.

Essas informações vieram de quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático relacionadas ao banqueiro. Em seguida, Mendonça ordenou que o material fosse encaminhado à Polícia Federal responsável pela Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Contudo, o ministro destacou que a investigação conduzida pela Polícia Federal sob supervisão do STF não compartilha provas com a CPMI. Segundo Mendonça, os dois procedimentos possuem “fontes de prova totalmente independentes”.

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Sigilo da fonte é preservado na investigação

Ao autorizar o inquérito, Mendonça também estabeleceu limites para a apuração. Além disso, o ministro afirmou que os investigadores não devem direcionar o procedimento contra jornalistas que receberam informações de forma indireta.

Segundo ele, a investigação precisa focar quem tinha obrigação legal de guardar o material sigiloso e teria permitido a divulgação. Por sua vez, Mendonça citou a garantia constitucional do sigilo da fonte, ligada ao exercício da atividade jornalística.

O ministro também ressaltou que as autoridades precisam respeitar garantias fundamentais. Entre elas, está a proteção da intimidade relacionada a dados extraídos de aparelhos celulares apreendidos.

Nesse cenário, a decisão amplia o debate sobre controle de acesso a provas digitais em investigações criminais conduzidas pela Polícia Federal e supervisionadas pelo Supremo. Ao mesmo tempo, o caso avança enquanto STF investiga vazamento Vorcaro e busca identificar quem descumpriu o dever de sigilo.

Foto de Jussier Lucas.

Jussier Lucas.

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

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