O Supremo Tribunal Federal (STF) investiga o vazamento no caso Daniel Vorcaro após decisão do ministro André Mendonça, que determinou a abertura de inquérito para identificar quem teve acesso ao material extraído do celular do dono do Banco Master e pode ter permitido a divulgação das mensagens. A decisão foi tomada na sexta-feira (06/03).
A medida atende a um pedido da defesa do banqueiro. Segundo os advogados, conteúdos retirados dos aparelhos apreendidos pela Polícia Federal chegaram à imprensa na quinta-feira (05/03. Por isso, os defensores solicitaram uma investigação para descobrir a origem do vazamento.
STF investiga vazamento Vorcaro após pedido da defesa
A Polícia Federal apreendeu os celulares durante diligências ligadas às investigações que atingem Daniel Vorcaro. Depois, peritos analisaram os aparelhos e incluíram os dados em procedimentos que hoje tramitam no STF.
Diante da divulgação de trechos do material, a defesa pediu ao STF a abertura de um inquérito policial. Assim, o objetivo é identificar quem teve acesso aos dados e poderia ter quebrado o dever de confidencialidade.
Na decisão, Mendonça determinou que a investigação identifique os responsáveis pela guarda do material sigiloso. Dessa forma, os investigadores devem esclarecer se alguém descumpriu a obrigação legal de preservar as informações.
Investigações do STF e CPMI seguem separadas
O ministro também relembrou uma decisão tomada em 20 de fevereiro de 2026. Na ocasião, ele determinou que a Presidência do Congresso Nacional devolvesse à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS (CPMI do INSS) os dados obtidos pela própria comissão.
Essas informações vieram de quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático relacionadas ao banqueiro. Em seguida, Mendonça ordenou que o material fosse encaminhado à Polícia Federal responsável pela Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Contudo, o ministro destacou que a investigação conduzida pela Polícia Federal sob supervisão do STF não compartilha provas com a CPMI. Segundo Mendonça, os dois procedimentos possuem “fontes de prova totalmente independentes”.
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Sigilo da fonte é preservado na investigação
Ao autorizar o inquérito, Mendonça também estabeleceu limites para a apuração. Além disso, o ministro afirmou que os investigadores não devem direcionar o procedimento contra jornalistas que receberam informações de forma indireta.
Segundo ele, a investigação precisa focar quem tinha obrigação legal de guardar o material sigiloso e teria permitido a divulgação. Por sua vez, Mendonça citou a garantia constitucional do sigilo da fonte, ligada ao exercício da atividade jornalística.
O ministro também ressaltou que as autoridades precisam respeitar garantias fundamentais. Entre elas, está a proteção da intimidade relacionada a dados extraídos de aparelhos celulares apreendidos.
Nesse cenário, a decisão amplia o debate sobre controle de acesso a provas digitais em investigações criminais conduzidas pela Polícia Federal e supervisionadas pelo Supremo. Ao mesmo tempo, o caso avança enquanto STF investiga vazamento Vorcaro e busca identificar quem descumpriu o dever de sigilo.