Embaixador brasileiro no Irã avalia custo militar de derrubar regime

O Embaixador brasileiro no Irã afirmou que derrubar o regime iraniano exigiria invasão terrestre e alto custo humano. Segundo o diplomata, ataques aéreos isolados não provocariam mudança de governo no país.
- Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Embaixador brasileiro no Irã André Veras fala sobre guerra - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O diplomata André Veras afirmou nesta segunda-feira (09/03) que uma eventual tentativa externa de derrubar o regime iraniano exigiria uma operação militar extensa e com alto custo humano. O embaixador brasileiro, que está no Irã, avaliou que ataques aéreos isolados dificilmente provocariam mudança de poder no país.

Em entrevista ao programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, Veras explicou que uma ofensiva com esse objetivo dependeria do envio de tropas terrestres estrangeiras, devido às dimensões do território iraniano e à capacidade militar do país.

Embaixador brasileiro no Irã aponta limites dos ataques militares

De acordo com Veras, ataques exclusivamente aéreos não seriam suficientes para provocar a queda do regime. Na avaliação dele, apenas uma operação terrestre teria potencial para alterar a estrutura de poder do país.

O embaixador explicou que a dimensão territorial do Irã e o relevo predominantemente montanhoso aumentariam a dificuldade de uma incursão militar estrangeira. Além disso, o país mantém capacidade militar ofensiva relevante.

Por essa razão, o diplomata classificou o cenário como uma tarefa “hercúlea” e “sangrenta”. Segundo ele, uma operação desse tipo envolveria custos humanos e estratégicos elevados.

Serviços continuam funcionando após ataques

Dez dias após os primeiros bombardeios realizados por Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos, o embaixador relatou que parte da rotina no país continua ativa.

Segundo ele, serviços essenciais como fornecimento de água, eletricidade e gás seguem operando. O comércio permanece aberto e escolas passaram a adotar aulas remotas.

Os mercados continuam abastecidos, embora a gasolina esteja sendo racionada. Veras explicou que a limitação no combustível também está relacionada à capacidade de refino do país, que já enfrentava restrições antes da guerra.

Nesse período, os ataques mataram o líder supremo Ali Khamenei, que governou o Irã por 36 anos.

Sucessão política rápida após morte de Khamenei

Após a morte de Khamenei, a Assembleia dos Especialistas escolheu Seyyed Mojtaba Khamenei, de 56 anos, como novo líder supremo. A decisão foi confirmada no domingo (08/03).

Segundo o embaixador brasileiro no Irã, o sistema político iraniano possui regras que permitem substituição rápida de autoridades em caso de morte ou afastamento.

Mesmo assim, o diplomata avaliou que a escolha do filho do antigo líder pode estimular críticas internas. Isso ocorre porque a Revolução Islâmica de 1979 derrubou um regime hereditário no país.

Antes da morte do pai, Mojtaba Khamenei era visto como figura de bastidores. Ele mantém relação próxima com a Guarda Revolucionária e com setores conservadores do clero.

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Embaixador brasileiro no Irã avalia a situação de brasileiros e avaliação diplomática

O diplomata informou que cerca de 200 brasileiros vivem atualmente no Irã, em sua maioria mulheres casadas com cidadãos iranianos. Até o momento, o governo brasileiro não discute uma operação de retirada.

As fronteiras terrestres com países vizinhos continuam abertas e funcionam como rotas para quem deseja deixar o território iraniano.

O embaixador acrescentou que mantém contato diário com o Ministério das Relações Exteriores, que atualiza o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a situação.

Na avaliação do embaixador brasileiro no Irã, ainda existe espaço para uma solução diplomática. Ele afirmou que o aumento dos custos econômicos da guerra pode pressionar os envolvidos a buscar negociação, já que o conflito também afeta rotas comerciais e a economia global.

Foto de Jussier Lucas.

Jussier Lucas.

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

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