Uma proposta de cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos que pode entrar em vigor ainda nesta segunda-feira (06/04) surge com potencial para destravar o fluxo global de petróleo e aliviar a pressão sobre os mercados de energia. No entanto, o avanço do acordo já enfrenta um obstáculo central. Teerã resiste a reabrir o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, transformando o principal ponto estratégico do conflito no maior risco para a negociação.
A proposta, revelada pela agência Reuters, foi elaborada pelo Paquistão e apresentada simultaneamente às duas potências. O plano prevê um acordo em duas etapas, começando por um cessar-fogo imediato, seguido de negociações para encerrar definitivamente as hostilidades em um prazo de 15 a 20 dias.
Apesar da sinalização de abertura para o diálogo, o Irã indicou que não aceitará condicionar a reabertura do estreito a uma trégua temporária. A posição coloca em risco a implementação do acordo já nas primeiras horas de negociação e indica que o entendimento pode nascer fragilizado.
Impasse sobre Ormuz expõe fragilidade do acordo de cessar-fogo entre Irã e EUA
O Estreito de Ormuz se tornou o principal ponto de tensão nas negociações e concentra o impasse que pode travar o avanço do cessar-fogo. Fechada há mais de um mês pelo Irã, a rota virou instrumento direto de pressão nas tratativas com os Estados Unidos.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o plano de cessar-fogo permitiria a reabertura gradual da passagem como parte do entendimento inicial. No entanto, um alto funcionário iraniano afirmou que o país não aceita atrelar essa decisão a uma trégua temporária.
A posição sinaliza que, mesmo com avanço diplomático, o acordo pode enfrentar resistência estrutural, já que Teerã mantém o controle do estreito como peça central de negociação.
Negociação envolve pressão, prazos e ameaça de novos ataques
A proposta de paz surge em meio a uma escalada de tensão na região e a um cenário de pressão direta dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump afirmou no domingo que espera alcançar um cessar-fogo ainda nesta segunda-feira, mas também ameaçou novos ataques contra a infraestrutura iraniana caso não haja avanço nas negociações.
Segundo relatos, o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, manteve contato contínuo com autoridades dos dois lados, incluindo o vice-presidente americano JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o chanceler iraniano Abbas Araqchi, na tentativa de destravar o acordo.
O plano, chamado provisoriamente de Acordo de Islamabad, pode incluir reuniões presenciais na capital paquistanesa para consolidar os termos finais.
Mercado reage à possibilidade de acordo entre Irã e EUA sobre Ormuz, mas incerteza persiste
A possibilidade de um cessar-fogo imediato provocou reação nos mercados internacionais. Após abertura com queda e alta no petróleo, os preços passaram a oscilar com a expectativa de um possível alívio no fornecimento global de energia.
Ainda assim, o cenário permanece incerto. Informações do site Axios indicam que negociações paralelas consideram um cessar-fogo de até 45 dias como etapa intermediária, o que reforça a falta de consenso sobre o formato final do acordo.
O que está em jogo
• Reabertura do Estreito de Ormuz
• Possível fim de um conflito que já dura mais de cinco semanas
• Redução da pressão sobre os preços internacionais de energia
• Negociação de sanções e liberação de ativos iranianos congelados
A resistência do Irã em relação ao Estreito de Ormuz mantém o principal corredor energético do mundo no centro do conflito. Com interesses divergentes e prazos apertados, o acordo que pode encerrar a guerra também corre o risco de travar antes mesmo de começar.