O combate ao mosquito em Dourados (MS) entrou em fase crítica após o avanço da chikungunya, com mortes confirmadas e concentração de casos em comunidades indígenas. Diante desse cenário, o Governo Federal acionou uma operação ampliada com apoio do Exército, já que o risco de novos casos aumenta e a pressão sobre o sistema de saúde cresce rapidamente.
Na prática, o combate ao mosquito ganhou escala porque a circulação intensa do vírus, somada à presença do Aedes aegypti, amplia o risco de expansão para outras regiões. Além disso, períodos de calor e chuvas favorecem ainda mais a proliferação. Por isso, sem controle rápido do vetor, a tendência é de aumento de casos, sobrecarga no atendimento e maior exposição de populações vulneráveis.
Dessa forma, a resposta ao avanço da doença deixou de ser pontual e passou a operar em escala ampliada. Agora, o combate ao mosquito se tornou o eixo central da estratégia, com mobilização de militares, reforço de agentes e uso de tecnologia para interromper a transmissão.
Estratégia combina agentes, tecnologia e força militar
Atualmente, 40 militares do Exército Brasileiro, com cinco viaturas, atuam diretamente na operação. Com isso, as equipes conseguem ampliar o alcance das ações, especialmente em áreas de difícil acesso. Além de reforçar a logística, os militares também apoiam a eliminação de criadouros.
Ao mesmo tempo, o Ministério da Saúde autorizou a contratação emergencial de 50 Agentes de Combate às Endemias. Inicialmente, 20 profissionais já começaram a atuar, enquanto os demais passam por treinamento. Assim, essas equipes se somam aos cerca de 95 trabalhadores que já atuam no território.
Além disso, o governo incorporou tecnologia à estratégia. Foram enviadas 1.000 estações disseminadoras de larvicida, que utilizam o próprio mosquito para espalhar o produto. Dessa maneira, o controle alcança locais que antes não eram atingidos diretamente.
Paralelamente, equipes aplicam inseticida em ultra baixo volume (UBV) em áreas de maior circulação, como escolas e unidades de saúde. Com isso, a ação reduz rapidamente a população adulta do mosquito.
Território sob varredura: milhares de imóveis com focos
A dimensão do problema aparece com clareza nas inspeções. Entre 9 e 16 de março, equipes vistoriaram 4.319 imóveis. Em seguida, aplicaram tratamento em mais da metade deles.
Ao todo, os agentes identificaram 1.004 focos do Aedes aegypti, principalmente em recipientes com água parada, como caixas improvisadas, pneus e resíduos descartados.
Além disso, mutirões reforçaram a retirada de criadouros. Cerca de 100 pessoas participaram das ações, que resultaram na remoção de grandes volumes de lixo — o equivalente a quatro caminhões-caçamba.
Avanço da doença pressiona sistema e atinge indígenas
Segundo os dados mais recentes, Dourados registra 1.198 casos confirmados de chikungunya, dentro de um total de 2.812 notificações. No entanto, a situação é mais grave nas aldeias indígenas, onde se concentram 822 casos — quase 70% do total.
Além disso, todas as cinco mortes confirmadas ocorreram entre indígenas, o que evidencia a vulnerabilidade dessas comunidades.
Ao mesmo tempo, equipes da Força Nacional do SUS intensificaram o atendimento. Até agora, os profissionais já realizaram mais de 1.200 atendimentos, além de remoções para unidades de maior complexidade.
Combate ao mosquito vira eixo central da resposta
Com a doença em expansão, o combate ao mosquito se tornou prioridade absoluta. Isso ocorre porque interromper o ciclo do vetor é a única forma de conter novos casos no curto prazo.
Por isso, as equipes combinam ações imediatas, como aplicação de inseticidas, com estratégias contínuas, como instalação de armadilhas e monitoramento das áreas de risco.
Além disso, diferentes órgãos passaram a atuar de forma integrada. Dessa maneira, a operação ganha escala e velocidade, o que aumenta as chances de conter o avanço da doença antes que ela atinja outras regiões.
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Como identificar e se proteger da chikungunya
A chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e costuma causar febre alta e dores intensas nas articulações. Em muitos casos, esses sintomas podem durar semanas ou até meses.
Além disso, a doença pode provocar dor de cabeça, manchas na pele e cansaço extremo. Em situações mais graves, o paciente pode precisar de atendimento hospitalar.
Para se proteger, é fundamental eliminar qualquer ponto de água parada. Por exemplo, caixas d’água abertas, pneus, garrafas e recipientes expostos favorecem a reprodução do mosquito.
Além disso, o uso de repelentes e proteção contra picadas reduz o risco de infecção. Caso surjam sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico o quanto antes, principalmente para grupos mais vulneráveis.