Denúncias de assédio na Setur levam governo da Bahia a abrir duas apurações

A Secretaria de Turismo da Bahia (Setur-BA) e a Corregedoria Geral do Estado abriram investigações para apurar denúncias de suposto assédio moral contra a chefe de gabinete Giulliana Brito do Espírito Santo Mercuri. Servidoras relatam perseguição, humilhações, ameaças, desvio de função e possíveis retaliações. A gestora permanece no cargo enquanto os processos administrativos seguem em andamento.
Giulliana Brito do Espírito Santo Mercuri, chefe de gabinete da Secretaria de Turismo da Bahia, é investigada após denúncias de suposto assédio moral feitas por servidoras.
Chefe de gabinete da Setur Bahia é alvo de investigação por denúncias de assédio.(Imagem:Redes Sociais).

A Secretaria de Turismo da Bahia (Setur-BA) e a Corregedoria Geral do Estado (CGR) instauraram investigações para apurar denúncias de suposto assédio moral, perseguição, abuso de autoridade e humilhações envolvendo a chefe de gabinete da pasta, Giulliana Brito do Espírito Santo Mercuri. As acusações foram apresentadas por servidoras da secretaria e deram origem a procedimentos administrativos distintos, que ainda estão em andamento. Recentemente, situações envolvendo o tema Setur Bahia assédio moral repercutiram intensamente no setor público estadual.

A abertura das apurações representa o principal desdobramento do caso. Conforme informaram o governo estadual e a própria Setur, denunciantes, testemunhas e a chefe de gabinete serão ouvidos, com garantia do contraditório e da ampla defesa. Até a conclusão dos processos, a gestora permanece no exercício do cargo. Aliás, os acontecimentos reforçam a necessidade de debate sobre Setur Bahia assédio moral no ambiente institucional.

Servidoras relatam humilhações, ameaças e perseguição

Em entrevista ao g1, uma servidora que preferiu não se identificar afirmou ter trabalhado por cerca de cinco anos com Giulliana Brito, primeiro na Diretoria de Planejamento Turístico e depois no gabinete da secretaria, em Salvador.

Segundo o relato, ela passou a ser chamada com frequência para receber críticas ao trabalho, muitas vezes diante de outros servidores. A denunciante afirma que precisava refazer o mesmo documento dezenas de vezes, mesmo quando as alterações eram mínimas, e que o trabalho era constantemente desqualificado sem justificativas técnicas.

A servidora também disse que diversos colegas deixaram a secretaria ou foram exonerados após conflitos com a chefe de gabinete. Um dos casos citados envolve uma funcionária que trabalhou até quase 22h em uma sexta-feira e teve a exoneração publicada no Diário Oficial do Estado no sábado seguinte.

Outro ponto relatado foi a existência de cobranças consideradas incompatíveis com a complexidade das tarefas. Conforme a denúncia, processos administrativos eram exigidos em cinco ou dez minutos, mesmo quando demandavam análise detalhada.

Além disso, a funcionária afirma que a chefe de gabinete fazia ameaças relacionadas aos cargos dos servidores e dizia que uma colega investigada em processos internos “iria sair presa da Setur”, antes mesmo da conclusão de qualquer apuração. Para ilustrar, casos como esses são frequentemente mencionados como exemplos de Setur Bahia assédio moral.

Relatos incluem impactos na saúde e na rotina de trabalho

Entre os episódios narrados, a denunciante contou que havia informado, desde o início das atividades no gabinete, que precisava deixar o expediente às 18h para buscar a filha na escola. Segundo ela, mesmo sabendo da situação, a chefe de gabinete concentrava demandas urgentes no fim do expediente.

A servidora afirma que, diante de outros colegas, ouviu a frase: “Você só sai daqui quando eu quiser”, além da declaração de que, por decisão da gestora, ela deixaria de buscar a filha.

Ainda segundo o relato, o ambiente de trabalho provocou crises de ansiedade durante o período em que atuou diretamente com a chefe de gabinete. A denunciante também disse ter recebido informações de que outra servidora precisou ficar afastada por cerca de seis meses após desenvolver problemas de saúde relacionados ao ambiente profissional.

Outra ex-servidora da Setur afirmou que pediu exoneração depois de cerca de dois anos trabalhando com Giulliana Brito. Segundo ela, passou a sofrer isolamento dentro da secretaria, deixou de receber respostas sobre demandas de trabalho e desenvolveu problemas de saúde, incluindo aneurisma e câncer de intestino, período em que também precisou de acompanhamento psiquiátrico.

Denúncias também apontam desvio de função e possíveis retaliações

As denúncias incluem ainda suposto desvio de função. De acordo com uma das servidoras, secretárias eram orientadas a realizar tarefas pessoais para a chefe de gabinete, como buscar almoço, levar roupas para conserto e limpar seus óculos, atividades que, segundo as denunciantes, não faziam parte das atribuições dos cargos. Dessa forma, o tema Setur Bahia assédio moral permanece em destaque na discussão sobre conduta no serviço público.

O episódio apontado como estopim para a formalização das denúncias ocorreu durante o plantão do São João deste ano. Na ausência do secretário da pasta, uma discussão entre a chefe de gabinete e outra servidora teria continuado no dia seguinte, quando a funcionária voltou a ser repreendida por causa da fiscalização de eventos. Segundo a denunciante, a colega afirmou que não precisava aceitar aquele tratamento e tentou deixar a sala.

No domingo seguinte ao episódio, três servidoras protocolaram denúncias na Ouvidoria Geral do Estado e na Corregedoria Geral do Estado.

Após a formalização, uma das denunciantes foi transferida para outro setor da secretaria. Ela afirma que, apesar da mudança, seus documentos continuam sendo revisados pela chefe de gabinete e relata ainda possíveis retaliações internas, como a retirada de seu ramal telefônico e a suspensão temporária do serviço de copa para outras duas servidoras que também denunciaram o caso.

O que acontece agora

Em nota, a Secretaria de Turismo da Bahia informou que instaurou processo administrativo para apurar os fatos e que o procedimento seguirá o rito previsto para casos dessa natureza. Segundo a pasta, serão ouvidos denunciantes, testemunhas e a investigada antes da conclusão do processo, quando poderão ser adotadas eventuais medidas administrativas.

A Secretaria da Administração do Estado da Bahia informou que a Corregedoria Geral do Estado também instaurou procedimento para investigar as denúncias de assédio envolvendo a servidora. Por fim, é importante acompanhar os desdobramentos do Setur Bahia assédio moral e suas consequências para o ambiente funcional.

O g1 informou que procurou Giulliana Brito do Espírito Santo Mercuri, mas não obteve resposta até a última atualização da reportagem. As denúncias seguem em fase de apuração e, até o momento, não há conclusão administrativa sobre o caso, enquanto a chefe de gabinete permanece no cargo.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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