O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (9) a soltura de Romeu Carvalho Antunes, filho de Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. A decisão amplia uma sequência de revisões de prisões e medidas cautelares de investigados da Operação Sem Desconto realizadas pelo ministro desde terça-feira (8).
Romeu estava preso preventivamente desde dezembro de 2025. Com a decisão, deverá usar tornozeleira eletrônica, não poderá sair de Brasília sem autorização judicial e terá o passaporte apreendido.
Mendonça revê prisões na Sem Desconto em dois dias
Romeu não foi o único investigado a deixar a prisão sob novas restrições. Na terça-feira, Mendonça mandou soltar Samuel Chrisostomo do Bomfim Junior, apontado como operador financeiro da Conafer, e determinou o uso de tornozeleira eletrônica.
Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS, também teve a prisão preventiva substituída pelo monitoramento eletrônico. Ele permanece submetido a outras cautelares, incluindo restrições de contato e de acesso a dependências do INSS e da Dataprev.
Outro grupo teve uma mudança diferente. José Carlos Oliveira, Pedro Alves Corrêa Neto e Gilmar Stelo deixaram de usar tornozeleira, embora tenham permanecido submetidos a outras restrições. José Carlos é ex-presidente do INSS; Pedro é servidor do Ministério da Agricultura; e Gilmar foi apontado como operador jurídico e financeiro do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto.
Segundo decisão divulgada pelo Metrópoles, Mendonça considerou que o avanço das investigações e a conclusão de diligências anteriores ao relatório final reduziram a necessidade das cautelares mais severas nos casos de Samuel, José Carlos, Pedro e Gilmar.
Filho do Careca do INSS continua sob restrições
No caso de Romeu, a Polícia Federal afirma que ele passou a atuar diretamente nas empresas ligadas ao pai e tornou-se o principal operador administrativo da organização investigada. Segundo os investigadores, essas empresas teriam sido usadas para movimentar recursos provenientes das fraudes e repassar valores a pessoas e entidades ligadas a servidores do INSS.
A defesa contesta as suspeitas e afirma que a prisão preventiva de Romeu era desnecessária. Em nota assinada pelos advogados Danyelle Galvão e Leandro Raca, declarou que a inocência do investigado será demonstrada no decorrer da investigação.
A mudança da prisão preventiva para cautelares não significa absolvição. Romeu continua investigado na Operação Sem Desconto e submetido às determinações estabelecidas pelo STF.
Careca do INSS permanece na Papuda
A diferença mais concreta aparece entre pai e filho. Enquanto Romeu deixa a prisão com tornozeleira e restrição de deslocamento, Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, permanece preso na Papuda, em Brasília.
As decisões tomadas por Mendonça desde terça-feira produziram situações distintas entre os investigados: alguns deixaram a prisão sob monitoramento, três tiveram tornozeleiras retiradas e o Careca do INSS continua preso. Para Romeu, a consequência imediata é a saída da prisão depois de cerca de nove meses, mas com circulação limitada e acompanhamento eletrônico.