O que é o Credcesta e como um cartão da Bahia chegou ao Banco Master

Entenda o que é o Credcesta, como surgiu na Bahia, quem passou a comandar a operação e qual sua relação com Banco Master, Augusto Lima e Daniel Vorcaro.
O que é o Credcesta: Cesta do Povo e Banco Master
A trajetória do Credcesta começou ligada à Cesta do Povo, na Bahia, antes da expansão nacional e da relação com o Banco Master. (Imagem editorial)

O Credcesta começou muito antes de Daniel Vorcaro aparecer no centro das investigações sobre o Banco Master. O cartão nasceu ligado à Cesta do Povo, na Bahia, passou pelo crédito consignado, ganhou escala nacional e acabou conectado a uma das instituições financeiras mais investigadas do país.

Entender o que é o Credcesta, quem passou a controlar sua operação e como surgiu a relação com o Banco Master ajuda a explicar por que um produto criado no ambiente da antiga estatal baiana Ebal aparece agora em acusações envolvendo empresários e políticos.

O que é o Credcesta e como ele surgiu na Bahia

Hoje, o Credcesta se apresenta como um cartão de benefício consignado destinado a servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS. Permite compras e saques, enquanto o pagamento mínimo pode ser descontado diretamente da folha, dentro da margem consignável disponível.

Sua origem, porém, está na Empresa Baiana de Alimentos, a Ebal, responsável pela rede Cesta do Povo. O programa Credicesta já fazia parte dos ativos da companhia quando o governo baiano decidiu privatizá-la.

Em 2018, a participação acionária do Estado na Ebal foi arrematada por R$ 15 milhões pela NGVSPE Empreendimentos e Participações. A operação envolvia os fundos de comércio das 49 lojas, o direito de exploração da marca Cesta do Povo e o programa Credicesta. O contrato foi assinado em junho daquele ano, sem incluir os imóveis da estatal.

Esse detalhe separa duas etapas frequentemente confundidas: o Banco Master não comprou a Ebal. A ligação com o grupo financeiro de Daniel Vorcaro ocorreu depois.

Augusto Lima aproxima o produto do Banco Máxima

Após a privatização, Augusto Ferreira Lima passou a ser o personagem associado à expansão do Credcesta. A operação ficou vinculada à PKL One Participações, empresa identificada posteriormente como operadora do cartão consignado.

No segundo semestre de 2018, Lima procurou uma instituição financeira capaz de sustentar a oferta de crédito. A aproximação ocorreu com o Banco Máxima, controlado por Daniel Vorcaro e posteriormente rebatizado como Banco Master. Documentos e reportagens sobre a operação registram que o Máxima adquiriu participação na PKL e que o Credcesta já estava operando com o banco no fim daquele ano.

A parceria transformou o que havia sido um produto ligado à estrutura baiana em uma operação de crédito com alcance muito maior. Augusto Lima tornou-se sócio do banco e passou a atuar no varejo da instituição.

No balanço referente a 2024, o próprio Master informou que sua atuação no varejo estava concentrada no crédito consignado, com destaque para o Credcesta. Naquele momento, o cartão estava presente em 24 estados e 176 municípios, além de alcançar beneficiários do INSS.

De quem é o Credcesta após a saída do Banco Master

A relação societária mudou novamente em maio de 2024, quando Augusto Lima deixou o Banco Master. No rearranjo, ele ficou com a operação do Credcesta e posteriormente assumiu o Banco Voiter, rebatizado como Banco Pleno após aprovação do Banco Central em julho de 2025.

O próprio site do Credcesta passou a informar que o produto havia se tornado Banco Pleno. A situação mudou em fevereiro de 2026, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Pleno. Segundo o UOL, uma eventual venda do Credcesta passou então a depender de autorização do liquidante.

Portanto, associar atualmente o Credcesta apenas ao Banco Master deixa de fora uma etapa importante: Augusto Lima saiu do Master levando a operação, embora a expansão nacional do produto tenha ocorrido durante os anos de associação com o banco de Vorcaro.

Credcesta em São Paulo leva história ao episódio atual

São Paulo passou a ocupar espaço nessa trajetória em 2022. Naquele ano, mudanças nas regras estaduais de consignação abriram espaço para cartões de benefício. A regulamentação estabeleceu margem consignável que poderia chegar a 50% da remuneração, conforme as condições previstas para as diferentes modalidades.

Foi nesse mercado que a PKL One operou o Credcesta.

Essa etapa voltou ao noticiário em setembro de 2026. Em proposta de colaboração premiada, Daniel Vorcaro afirmou que doações eleitorais de R$ 5 milhões realizadas em 2022 teriam sido contrapartida de um suposto acordo para manter o Credcesta operando no governo paulista. Segundo seu relato, Augusto Lima teria participado da articulação com Gilberto Kassab.

A acusação não foi comprovada. Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República rejeitaram propostas de delação apresentadas por Vorcaro por falta de fatos novos e elementos de comprovação. Kassab negou qualquer negociação irregular. Nesta sexta-feira (04/09), Tarcísio de Freitas também rejeitou a versão e afirmou não ter mantido contato com Vorcaro.

O ponto mais relevante é que o Credcesta deixou de ser apenas um cartão consignado associado a uma operação regional e passou a ocupar posição estratégica em estruturas financeiras e relações institucionais de alcance nacional. É essa mudança de escala, mais do que sua origem, que explica por que o produto ganhou peso nas apurações envolvendo o Banco Master.

Foto de Adriana Rodrigues

Adriana Rodrigues

Adriana Rodrigues é jornalista e Coordenadora de Relacionamento e Operações do Sistema BNTI de Comunicação. Contribui editorialmente com o J1 News, o Economic News Brasil e o Boa Notícia Brasil. É pós-graduada em Marketing pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e em Recursos Humanos pela Universidade Estadual do Ceará (UECE).

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