Antonio Carlos Freixo Júnior, empresário que assinou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), afirmou ter entregado às autoridades comprovantes e e-mails relacionados a sete repasses para o fundo Havengate, usado para financiar “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
As transferências relatadas somaram US$ 12,333 milhões entre janeiro e setembro de 2025 e, segundo Freixo, foram realizadas por determinação de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. A documentação apresentada pelo empresário permite às autoridades confrontar datas e valores com seu relato, mas seu conteúdo ainda não foi validado.
Plano inicial previa mais de dez transferências
Freixo declarou que a solicitação inicial de Vorcaro era de cerca de US$ 24 milhões, que seriam operacionalizados em mais de dez subscrições entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. Segundo o empresário, somente sete transações foram realizadas.
A formalização desse plano teria começado em janeiro de 2025. Freixo afirma que a Entre Investimentos assinou uma carta de compromisso com previsão de mais de dez subscrições de cotas do Havengate após contato por e-mail com Paulo Calixto, responsável pelo fundo e advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Os sete pagamentos efetivamente relatados por Freixo ocorreram por meio de subscrições de cotas. Pela cotação de setembro de 2025 informada na apuração original, US$ 12,333 milhões correspondiam a R$ 62,8 milhões.
Repasse de setembro contraria cronologia apresentada por Flávio
É justamente a data da última transferência relatada que acrescenta uma diferença relevante à cronologia conhecida. Flávio Bolsonaro vinha afirmando que o último pagamento de Vorcaro havia ocorrido em maio de 2025. Freixo relata um repasse de US$ 1,666 milhão em setembro de 2025, quatro meses depois.
A divergência entre as datas não esclarece, por si só, como o dinheiro foi utilizado após chegar ao fundo. Freixo afirmou que desconhecia o destino dado aos recursos depois das transferências.
A Polícia Federal investiga se todo o dinheiro foi usado em “Dark Horse”, como afirmam Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up, ou se uma parcela teve outra destinação. Uma auditoria particular contratada pela produtora afirmou que as contas estavam regulares e apontou custo de R$ 75 milhões para o filme, mas, segundo a apuração original, documentos como notas fiscais dos gastos não foram tornados públicos.
Acordo do delator ainda depende de Mendonça
O acordo de Freixo com a PGR foi firmado em 8 de agosto e ainda depende de homologação. André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), é responsável por decidir sobre o acordo.
A decisão de Mendonça é o próximo passo formal da colaboração. Separadamente, permanece aberta a investigação da PF sobre o destino dos recursos, enquanto o pagamento relatado em setembro amplia até aquele mês a cronologia das transferências atribuídas a Vorcaro.