Relatório da PF usado por Moraes contra Mendonça diz não ter valor de prova

Relatório da PF citado por Alexandre de Moraes no pedido contra André Mendonça se declara sem valor probatório. Fachin separou o procedimento e abriu prazo para manifestações.
Ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes durante sessão no Supremo Tribunal Federal (STF).
Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes durante sessão no Supremo Tribunal Federal (STF).(Imagem: Gustavo Moreno/STF).

O relatório da PF usado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao pedir uma investigação sobre André Mendonça traz uma ressalva explícita sobre sua natureza: o próprio material se identifica como “documento de trabalho – sem valor probatório”. Mesmo assim, o documento integrou os fundamentos apresentados por Moraes ao presidente da Corte, Edson Fachin.

Relatório da PF separa inteligência de acusação formal

O documento registra que sua finalidade é de inteligência e não de produção de prova. O material informa que não apura conduta nem atribui infração penal, disciplinar ou funcional a magistrados, integrantes do Ministério Público ou autoridades policiais. Também caracteriza as análises como não decisórias.

Moraes, por sua vez, pediu a abertura de investigação contra Mendonça na quinta-feira (3). Ele apontou indícios do que considera improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação do colega durante investigações relacionadas aos descontos do INSS e às fraudes no Banco Master. As imputações são de Moraes e não correspondem a conclusões estabelecidas pelo relatório de inteligência ou pelo STF.

A diferença entre a natureza do documento e as acusações apresentadas é relevante para interpretar o episódio. As análises de inteligência não podem ser tratadas como prova das irregularidades atribuídas a Mendonça. Ao mesmo tempo, a classificação do relatório não torna automaticamente inválido o pedido de Moraes. Essa questão ainda depende da análise institucional no Supremo.

Fachin tira pedido do inquérito das fake news

Na sexta-feira (4), Fachin retirou o pedido de Moraes do inquérito das fake news e determinou que o documento fosse anexado a uma petição separada, sob sua relatoria. Com isso, as acusações passaram a tramitar separadamente, sem que a providência represente julgamento sobre seu conteúdo.

O presidente do STF concedeu prazo de cinco dias para Mendonça e Paulo Gonet se manifestarem sobre as supostas irregularidades apontadas por Moraes. Ao determinar as providências, Fachin registrou que elas servem à instrução do processo e não antecipam decisão sobre admissibilidade, regularidade ou mérito das imputações.

O caso permanece, portanto, sem uma conclusão sobre as acusações. Depois das manifestações de André Mendonça e do procurador-geral da República, Paulo Gonetcaberá a Fachin definir quais serão as próximas providências no procedimento.

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Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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