Tarcísio cobra STF, rejeita corporativismo e pede apuração na Corte

Tarcísio cobra STF após encontro religioso em São Paulo e critica corporativismo; caso relacionado a Moraes ainda não tem data para julgamento.
Tarcísio de Freitas fala ao público durante encontro na Igreja Mundial do Poder de Deus, no Brás, em São Paulo
Tarcísio de Freitas durante encontro com obreiros da Igreja Mundial do Poder de Deus, no Brás, em São Paulo. (Imagem: Caiuá Maia/Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas).

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cobrou nesta segunda-feira (7) uma apuração do Supremo Tribunal Federal (STF) e criticou uma eventual reação de proteção interna da Corte. A declaração foi dada após encontro com obreiros da Igreja Mundial do Poder de Deus, no Brás, em São Paulo, onde estava ao lado de Flávio Bolsonaro (PL).

Ao falar com jornalistas depois do encontro, Tarcísio afirmou esperar uma atuação conjunta do tribunal para esclarecer os fatos. Sem mencionar Alexandre de Moraes nominalmente, questionou como o Supremo deveria reagir diante da situação.

“O que você espera do Supremo depois de uma situação dessa? Não que o Supremo se divida para se proteger. A gente espera que o Supremo se una para apurar.”

Tarcísio também associou a recuperação da credibilidade das instituições à transparência, à apuração e à responsabilização. “A credibilidade não volta no silêncio e nem no corporativismo”, afirmou.

Tarcísio cobra STF e declara apoio a André Mendonça

A manifestação ocorreu quando Tarcísio foi questionado sobre atos de apoio ao ministro André Mendonça previstos para este 7 de Setembro. O governador afirmou que essas manifestações expressam insatisfação com o funcionamento das instituições e defendeu que a situação seja “passada a limpo”.

Segundo Tarcísio, nenhuma autoridade deve estar acima da Constituição ou das leis. Ao defender a aplicação das mesmas regras, citou banqueiros, ministros do Supremo, senadores, governadores e o presidente da República.

O local escolhido por Tarcísio também marcou sua agenda no feriado. O governador não participou do Desfile Cívico de 7 de Setembro no Sambódromo do Anhembi e foi representado pelo vice-governador Felicio Ramuth (MDB). Em vez disso, participou pela manhã do encontro com obreiros da Igreja Mundial, no Brás, ao lado de Flávio Bolsonaro.

Caso envolvendo Moraes e Vorcaro ainda não tem data para julgamento

Em paralelo à manifestação do governador, uma das controvérsias recentes envolvendo integrantes do Supremo aguarda um próximo passo. No domingo (6), André Mendonça liberou para julgamento no plenário o caso relacionado ao relatório da Polícia Federal sobre mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a um número identificado pela PF como pertencente a Alexandre de Moraes.

O documento reúne 52 mensagens enviadas entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025. Há uma limitação importante para interpretar esse material: as respostas atribuídas a Moraes eram enviadas em formato que não foi recuperado pela Polícia Federal.

Isso significa que o relatório registra pedidos feitos por Vorcaro, mas não permite saber, na maioria dos episódios, o que Moraes respondeu. O material também não comprova que as solicitações registradas tenham sido atendidas.

A liberação determinada por Mendonça não equivale a julgamento nem estabelece conclusão sobre a conduta de Moraes. O caso está disponível para análise do plenário, mas cabe ao presidente do STF, Edson Fachin, definir quando o julgamento ocorrerá. Até o momento, não há data estabelecida.

Esse é o próximo marco concreto do caso: Mendonça já o liberou para julgamento, enquanto a definição de quando o plenário do STF irá analisá-lo permanece nas mãos de Fachin.

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Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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