PF leva ao Ceará operação sobre emendas de Mario Frias e Dark Horse

PF cumpre buscas no Ceará ao investigar emendas de Mario Frias. Outra apuração sobre entidade ligada à produtora já havia encontrado fornecedor cearense.
Deputado Mário Frias, alvo de operação da PF que investiga desvios de emendas com mandados no Ceará
Deputado Mário Frias é um dos alvos da Operação Make Up, que investiga suspeitas de desvios de recursos de emendas parlamentares e cumpriu mandados no Ceará.(Imagem: Bruno Spada / Câmara dos Deputados).

A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira (10) mandados no Ceará na Operação Make Up, que investiga suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares e alcança o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Karina Gama, produtora de Dark Horse, filme sobre Jair BolsonaroForam expedidos 49 mandados de busca e apreensão no Ceará, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Distrito Federal.

A presença da PF no Ceará acrescenta uma nova etapa a uma apuração federal centrada no uso de recursos públicos. Até o momento, porém, as informações divulgadas não individualizam os alvos cearenses nem permitem afirmar qual pessoa, empresa ou entidade levou os investigadores ao estado.

Mario Frias e emendas estão no núcleo investigado

Frias destinou R$ 2 milhões em emendas, em 2024, ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama. A PF investiga suspeitas envolvendo o repasse de recursos públicos a organizações da sociedade civil, subcontratações consideradas irregulares e serviços cuja execução não teria sido comprovada.

Karina também é responsável pela Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse, e Frias trabalhou como produtor-executivo e roteirista do longa. O deputado afirmou anteriormente que as emendas destinadas ao ICB não foram direcionadas à produção do filme. A investigação federal busca esclarecer o destino dos recursos, portanto não é possível tratar como comprovado que dinheiro das emendas financiou Dark Horse.

A PF informou ainda ter identificado movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas investigadas. Esse montante corresponde às movimentações financeiras detectadas e não ao valor das emendas de Frias nem a um prejuízo já comprovado.

Ceará já apareceu em outra investigação sobre o ICB

Há um antecedente que aproxima o Ceará do universo empresarial investigado, embora não seja possível ligá-lo aos mandados desta quinta. Em junho, a Polícia Civil de São Paulo investigou separadamente um contrato de R$ 108 milhões entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo para fornecimento de Wi-Fi gratuito.

Naquela apuração, documentos apresentados pelo instituto incluíam notas fiscais da JR Feijão, empresa sediada no Ceará, e da Complexsys Soluções Integradas. Segundo a investigação paulista, notas das duas empresas que haviam sido canceladas foram utilizadas na prestação de contas do contrato e somavam R$ 2,4 milhões. A investigação estadual tem objeto diferente da Operação Make Up.

O dado fornece um antecedente concreto do Ceará nas apurações envolvendo o ICB, mas não explica, por si só, as buscas realizadas agora. A Polícia Federal ainda precisa identificar publicamente os alvos cearenses para que seja possível estabelecer se existe ligação entre esse episódio anterior e os mandados da Make Up.

Durante as buscas desta quinta, a PF também apreendeu sete armas registradas em nome de Mario Frias, além de computadores e celulares. As armas estavam em endereço diferente do declarado, segundo informação divulgada após o início da operação.

A principal lacuna para o Ceará permanece aberta: a operação confirma que a investigação federal chegou ao estado, mas ainda não revela quem recebeu os mandados nem qual é sua participação no fluxo de recursos sob apuração.

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Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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