A crise entre Alexandre de Moraes e André Mendonça chegou aos procedimentos usados na produção e preservação de determinados materiais da investigação do Banco Master. Apesar da escalada no Supremo Tribunal Federal (STF), não há decisão anulando as provas do caso nem a apuração como um todo. O alcance das contestações agora depende da análise do presidente da Corte, Edson Fachin.
O ponto central está em separar movimentos que têm objetos diferentes. Moraes apresentou acusações sobre a atuação de Mendonça na condução de investigações, enquanto o procurador-geral da República, Paulo Gonet, questionou uma apuração relacionada ao próprio Moraes e a Daniel Vorcaro. As duas contestações não têm necessariamente o mesmo alcance jurídico.
Duas contestações têm alcances diferentes no caso Master
A primeira frente parte de Moraes. O ministro usou relatórios da Polícia Federal para questionar a atuação de Mendonça nas operações Compliance Zero e Sem Desconto. Entre as alegações estão procedimentos relacionados à cadeia de custódia e à produção probatória. São acusações apresentadas por Moraes, e não irregularidades reconhecidas pelo STF.
A segunda controvérsia é mais delimitada. Gonet defendeu a nulidade da apuração relacionada a Moraes e Vorcaro e a extinção daquele procedimento, ao questionar a forma como esse aprofundamento avançou.
PF já demonstrava preocupação com eventual anulação
A segurança das provas do Banco Master já preocupava a Polícia Federal antes do atual confronto no Supremo. Em 3 de julho de 2026, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, classificou como “grande preocupação” evitar a anulação de provas da investigação.
Segundo Rodrigues, a corporação adotava cautelas para preservar a cadeia de custódia e a integridade do material coletado. Entre elas estava a compartimentação das informações, com acesso restrito aos agentes envolvidos em cada etapa da investigação. A PF também realizou busca e apreensão contra um perito da própria corporação, episódio citado pelo diretor ao explicar os cuidados adotados.
Dois meses depois, a cadeia de custódia aparece entre os pontos levantados no confronto envolvendo os ministros. A declaração anterior da direção da PF ajuda a explicar por que a forma de preservar e produzir determinados materiais ganhou relevância na controvérsia atual.
Fachin terá quatro manifestações antes de decidir
Fachin determinou que Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei Rodrigues apresentem informações em até cinco dias. Entre os pontos a esclarecer estão o cumprimento pela PF das regras para investigações envolvendo autoridades com foro no STF, circunstâncias de determinações de Mendonça e medidas adotadas pela PGR no controle externo da atividade policial.
A decisão sobre o alcance das contestações ainda não foi tomada. Para as provas do Banco Master, a questão prática é saber se eventuais consequências ficarão limitadas aos atos e materiais questionados ou se a análise abrirá uma discussão mais ampla sobre outros elementos da investigação.