A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) elevou nesta quarta-feira (9) o tom diante dos episódios recentes envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). Em manifesto próprio, a entidade cobra transparência, independência, apartidarismo e apuração rigorosa de eventuais irregularidades na Corte.
A manifestação da FIEMG representa mais de 75 mil indústrias mineiras, que, segundo a Federação, respondem por quase 1,4 milhão de empregos. O texto também introduz uma preocupação diretamente econômica: a entidade afirma que empresas precisam de segurança jurídica, previsibilidade e instituições confiáveis para continuar investindo.
FIEMG cobra apuração e rejeita proteção corporativa
O manifesto sustenta que os episódios envolvendo ministros do STF, agentes públicos e interesses privados precisam de esclarecimentos “imediatos, transparentes e rigorosos”. A Federação também defende investigação independente e afirma que eventual responsabilidade deve produzir as sanções previstas em lei.
A FIEMG apoia ainda a manifestação apresentada por 13 ex-ministros do STF, que pediram ao presidente da Corte, Edson Fachin, uma sessão pública para que o plenário determine a apuração dos fatos. A carta dos ex-integrantes foi divulgada na terça-feira (8).
A posição mineira ocorre paralelamente a uma mobilização mais ampla do empresariado. CNI, Fiesp, CNC e outras entidades também divulgaram nesta quarta-feira um manifesto cobrando que o STF examine publicamente e com urgência os episódios recentes.
Segurança jurídica já preocupa empresas que pretendem investir
A conexão feita pela FIEMG entre confiança institucional e investimento encontra respaldo em dados anteriores à atual crise.
Pesquisa Investimentos na Indústria 2025-2026, divulgada pela CNI em março, mostrou que 36% das empresas com planos de investimento em 2025 consideraram a instabilidade ou insegurança jurídica um obstáculo. O levantamento trata da percepção empresarial geral e não mede efeitos dos acontecimentos atuais no STF.
Em junho, a própria CNI voltou ao tema ao defender previsibilidade, transparência e estabilidade como condições permanentes para o ambiente de investimentos. A entidade relacionou entre os problemas brasileiros a imprevisibilidade de decisões e dificuldades na aplicação uniforme da jurisprudência.
Crise do STF ganhou novo episódio nesta quarta-feira
A manifestação da FIEMG ocorre no mesmo dia em que Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Rodrigues à direção-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada à Diretoria de Inteligência. Os dois haviam sido afastados na terça-feira por decisão de André Mendonça. A decisão de Dino deverá ser submetida ao plenário do STF.
O efeito econômico específico dessa crise ainda não foi mensurado. A cobrança da FIEMG, portanto, não comprova cancelamento de investimentos ou perdas financeiras. Ela evidencia que uma variável já identificada pelas empresas como obstáculo ao investimento, a segurança jurídica, passou a integrar explicitamente a reação do setor produtivo aos acontecimentos no Supremo.
Confira nota na integra:
O BRASIL É DOS BRASILEIROS. E A JUSTIÇA NÃO PODE TER DONOS. FIEMG, em defesa das mais de 75 mil indústrias que representa, divulga manifesto pela transparência, pela independência e pelo caráter apartidário do STF
O Brasil não pertence a governos, partidos, grupos econômicos ou qualquer pessoa. O Brasil pertence aos brasileiros. E nenhuma instituição da República, por mais poderosa que seja, pode se colocar acima da sociedade que lhe dá legitimidade.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), representante de mais de 75 mil indústrias do estado, responsáveis, juntas, pela geração de quase 1,4 milhão de empregos, expressa sua indignação diante dos recentes episódios envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), alguns de seus ministros, agentes públicos e interesses privados, e cobra esclarecimentos imediatos, transparentes e rigorosos sobre os fatos apresentados à sociedade. Situações dessa natureza comprometem a confiança da população nas instituições e exigem apuração independente, sem privilégios ou qualquer tentativa de proteção corporativa. Em uma democracia sólida, nenhum agente público está acima dos princípios da transparência, da responsabilidade e da prestação de contas.
A entidade defende a recente manifestação dos treze ex-ministros do STF que solicitam ao presidente da Suprema Corte que “designe, com toda a urgência, sessão pública para que o Pleno determine imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse Tribunal, a confiança do povo e até a estabilidade das instituições democráticas.”
Ministros e juízes devem estar submetidos às mesmas regras, princípios éticos e mecanismos de controle que valem para qualquer cidadão. Havendo conflito de interesse, suspeição ou qualquer eventual irregularidade, é dever das instituições investigar, julgar e, comprovada a responsabilidade, aplicar as sanções previstas em lei, independentemente do cargo ocupado. Quem cometer crime deve responder por ele. E isso inclui, sem exceção, quem veste uma toga.
A toga confere autoridade para fazer cumprir a Constituição. Não confere impunidade.
O momento torna essa responsabilidade ainda maior. Em um ano eleitoral, a confiança nas instituições é um patrimônio que não pode ser colocado em risco. Qualquer percepção de que decisões judiciais possam beneficiar grupos ou atingir adversários gera insegurança, amplia a polarização e pode produzir consequências econômicas e sociais que serão pagas por todos os brasileiros. O setor produtivo é quem gera riqueza, emprego e renda no país. São empresas, trabalhadores e empreendedores que produzem, investem, inovam, pagam impostos e movimentam a economia, criando as oportunidades que sustentam milhões de famílias brasileiras. É a sociedade produtiva que cria riqueza. Não existe dinheiro público, mas apenas dinheiro do pagador de impostos. Por isso, quem produz precisa de segurança jurídica, previsibilidade e instituições confiáveis para continuar investindo e gerando desenvolvimento.
O setor produtivo não pede privilégios. Não pede proteção. Pede Justiça. Pede imparcialidade. Pede transparência.
A FIEMG defende que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos, que conflitos de interesse sejam rigorosamente apurados e que os mecanismos de impedimento, suspeição e responsabilização funcionem de maneira efetiva. Crimes e irregularidades comprovados devem resultar nas sanções cabíveis, sejam elas administrativas, civis ou penais. A lei precisa valer para todos, inclusive para aqueles que têm a responsabilidade de aplicá-la.
A República pertence aos brasileiros e todas as instituições devem servir à Constituição e responder à sociedade. O Brasil é dos brasileiros. E a Justiça deve ser de todos.
Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG)