O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter dito a Donald Trump que o Brasil não aceita ingerência em seu processo eleitoral. A declaração coloca Lula e Trump nas eleições em uma frente de divergência, enquanto os governos brasileiro e americano mantêm aberto o diálogo comercial iniciado após a conversa entre os dois presidentes.
Durante entrevista à Rádio Progresso, do Ceará, nesta sexta-feira (4), Lula relatou a advertência feita ao presidente dos Estados Unidos e acrescentou: “E se entrar vai perder”. A Reuters não registra, porém, uma tentativa de interferência de Trump nas eleições brasileiras; o fato comprovado é a declaração de Lula sobre o limite que afirma ter apresentado ao americano.
Lula e Trump falaram de eleições durante telefonema
Segundo auxiliares do presidente brasileiro presentes à conversa e citados pela Reuters, o tema eleitoral apareceu apenas de passagem no telefonema. Trump perguntou se tudo estava correndo bem e Lula teria respondido que sim e que o processo eleitoral brasileiro é muito confiável.
O telefonema ocorreu em 21 de agosto, segundo nota oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Naquele contato, os presidentes também trataram das tarifas aplicadas ao Brasil e acertaram a retomada das negociações comerciais entre os dois países.
Negociação com EUA avançou após conversa entre presidentes
O primeiro desdobramento comercial ocorreu no próprio dia 21. De acordo com o MDIC, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, procurou o governo brasileiro para uma reunião destinada à retomada das negociações. O ministério classificou o contato entre os presidentes como a abertura de “um novo canal de diálogo”.
As tratativas avançaram em 31 de agosto. Os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, reuniram-se virtualmente com Greer para discutir decisões americanas que aplicaram novas tarifas a produtos brasileiros.
A negociação permanece aberta. Brasil e Estados Unidos concordaram em realizar reuniões técnicas nas próximas semanas e voltar a se reunir em nível ministerial para revisar o progresso das tratativas.
O próximo passo previsto entre os governos, portanto, permanece na agenda comercial. Enquanto Lula afirma ter rejeitado ingerência de Trump no processo eleitoral, Brasil e Estados Unidos mantêm as negociações e já acertaram novas rodadas de discussão.