Os Estados Unidos atacaram três petroleiros iranianos neste sábado (5), e um deles estava na costa da Ilha de Kharg, ponto estratégico para as exportações de petróleo do Irã. Antes da guerra, 90% do petróleo exportado pelo país passava pela ilha, segundo a Reuters.
O episódio ocorreu após a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã lançar mísseis balísticos contra dois navios da Marinha norte-americana, de acordo com o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM). O órgão informou que nenhum integrante das forças dos EUA ficou ferido.
O almirante Brad Cooper, chefe do CENTCOM, afirmou que a escolha dos três petroleiros como alvos buscou impor um custo econômico maior ao Irã em resposta aos ataques contra as embarcações norte-americanas.
Petroleiro perto de Kharg coloca exportações iranianas em foco
A agência iraniana Tasnim informou que quatro mísseis norte-americanos atingiram um petroleiro na área de ancoradouro de Kharg. Segundo fontes locais citadas pela agência, não houve vítimas e a tripulação estava sendo retirada.
A importância econômica da localização está na concentração histórica das exportações iranianas em Kharg. O fluxo de petróleo pela ilha, no entanto, já estava interrompido desde o início do bloqueio norte-americano às exportações do Irã, em meados de abril. Por isso, o ataque ao petroleiro não comprova uma nova redução da oferta internacional.
Kharg também já aparecia nas operações anteriores dos EUA. Em junho, o CENTCOM informou ter desabilitado o petroleiro M/T Lexie enquanto a embarcação seguia em direção à ilha, o que mostra que a região já fazia parte das ações relacionadas ao bloqueio antes do episódio deste sábado.
Por que o ataque interessa ao consumidor brasileiro
O Brasil não está fora do mercado internacional de derivados. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o país mantém importações de produtos como diesel, enquanto a própria agência acompanha semanalmente a paridade de importação de gasolina, diesel, querosene de aviação e GLP.
No diesel, essa dependência aparece de forma objetiva. Em março de 2026, o Brasil importou 1,039 milhão de metros cúbicos de Diesel A, volume equivalente a 19% da soma entre produção doméstica e importações naquele mês, segundo a ANP. No acumulado de janeiro a março, as importações chegaram a 3,742 milhões de metros cúbicos.
A ANP define a paridade de importação como o custo do produto importado trazido ao Brasil. Para gasolina, diesel e querosene de aviação, o cálculo considera o valor do produto, além de taxas e despesas de frete, movimentação, armazenamento e serviços associados.
Essa exposição explica por que alterações relevantes no mercado internacional de derivados podem chegar aos custos de importação brasileiros. Isso não significa que o ataque deste sábado já tenha encarecido gasolina ou diesel no Brasil.
No caso do petroleiro perto de Kharg, o próximo ponto econômico será verificar se a escalada produz novas restrições aos fluxos de petróleo ou alterações no mercado internacional. Sem esse desdobramento, não há base para atribuir ao ataque uma mudança nos preços dos combustíveis pagos pelo consumidor brasileiro.