Empresa que recebeu R$ 1,5 milhão do Careca do INSS entra em investigação sobre Lulinha

Empresa citada no novo inquérito sobre Lulinha também aparece em investigação envolvendo o Careca do INSS e passa a integrar nova análise da PF.
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em imagem de arquivo. Novo inquérito da Polícia Federal investiga suspeitas de tráfico de influência e cita empresa que também aparece no caso do Careca do INSS.
Novo inquérito da Polícia Federal sobre Lulinha inclui empresa que já havia recebido R$ 1,5 milhão do Careca do INSS.(Imagem: Instagram).

A empresa RL Consultoria e Intermediações Ltda., da empresária Roberta Luchsinger, passou a integrar o novo inquérito da Polícia Federal que apura suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O procedimento foi autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na última sexta-feira (31). A consultoria já era conhecida dos investigadores por ter recebido R$ 1,5 milhão do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, e agora também aparece após um pagamento de R$ 150 mil feito pela empresa 3Structure ITO fato de a mesma empresa constar nas duas investigações não comprova irregularidade, mas ampliou o interesse da Polícia Federal sobre sua atuação.

Como a RL Consultoria entrou no novo inquérito

O inquérito autorizado pelo STF busca esclarecer suspeitas de que Lulinha teria atuado para favorecer interesses da 3Structure IT junto à Dataprev e a outros órgãos do governo federal.

Segundo relatório da Polícia Federal, a RL Consultoria recebeu R$ 150 mil da empresa de tecnologia. O pagamento passou a integrar a análise dos investigadores por fazer parte da relação financeira entre pessoas e empresas mencionadas na apuração.

A defesa de Cleber Ribas de Oliveira, sócio da 3Structure IT, afirma que o valor correspondeu à contratação de serviços de prospecção de clientes e identificação de oportunidades de negócios no setor de tecnologia. Segundo a empresa, a operação foi regularmente contabilizada, tributada e documentada, sem qualquer relação com os contratos celebrados com a administração pública.

A empresa já figurava em outra investigação da PF

Antes da abertura do novo procedimento, a RL Consultoria já aparecia em outra investigação conduzida pela Polícia Federal.

A empresa recebeu R$ 1,5 milhão do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Em uma das transferências analisadas, o empresário afirmou a um interlocutor que o dinheiro seria destinado ao “filho do rapaz“, expressão que, segundo a Polícia Federal, pode fazer referência a Lulinha.

Essa interpretação integra a linha investigativa da PF e não representa uma conclusão judicial, nem significa que os pagamentos identificados tenham a mesma finalidade, origem ou destinatário.

Contratos da 3Structure também passaram a ser analisados

Além dos pagamentos, a Polícia Federal analisa os contratos públicos firmados pela 3Structure IT, empresa criada em 2019 e sediada em Florianópolis.

A companhia acumula seis contratos com o governo federal, que somam R$ 85,7 milhões, todos voltados ao fornecimento de soluções de tecnologia da informação. Pelo menos cinco desses contratos foram celebrados por meio de processos licitatórios, conforme a documentação disponível.

O maior deles supera R$ 42 milhões e foi firmado com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome para a sustentação do ambiente analítico de dados da pasta. Em abril deste ano, o mesmo ministério assinou outro contrato com a empresa, de R$ 19,3 milhões, destinado à implantação de uma nova solução de backup.

Também segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI)Roberta Luchsinger esteve 17 vezes no Ministério do Desenvolvimento Social desde o início do governo Lula. Os registros de acesso fazem parte do contexto da investigação, mas não demonstram, por si sós, qualquer irregularidade.

Defesas negam irregularidades

Em nota, a defesa de Cleber Ribas afirmou que a contratação da RL Consultoria ocorreu exclusivamente para prestação de serviços de assessoria comercial e prospecção de oportunidades de negócios.

Segundo a advogada Pollyana Soares, os contratos com órgãos federais foram firmados diretamente, sem intermediação de terceiros, em conformidade com a legislação das licitações públicas. A defesa acrescenta que a empresa possui certificações internacionais na área de proteção de dados e que seus contratos passaram por auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU).

Já a defesa de Lulinha afirma que setores da Polícia Federal promovem uma “pesca probatória” contra o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até a publicação desta reportagem, o advogado de Roberta Luchsinger não havia respondido sobre o pagamento de R$ 150 mil mencionado no relatório da PF.

O que a investigação tentará esclarecer

Com a abertura do inquérito, a Polícia Federal deverá aprofundar a análise sobre a origem, a finalidade e o contexto dos pagamentos identificados, além de verificar se eles possuem apenas natureza comercial, como sustentam as defesas, ou se guardam relação com os fatos investigados.

O resultado dessa etapa poderá definir se novas diligências, oitivas e pedidos de documentos serão realizados, ou se os elementos atualmente reunidos permanecerão insuficientes para ampliar a investigação. Até o momento, não há denúncia apresentada pelo Ministério Público nem conclusão judicial sobre a conduta dos investigados.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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